Alexandre de Moraes é retirado da lista da Lei Magnitsky
- Index Political Risk
- 22 de dez. de 2025
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RISCO PARA O BRASIL: MÉDIO
→ O recuo de Trump ao retirar Moraes da lista Magnitsky fortalece a diplomacia de Lula e reabilita a imagem internacional do Judiciário brasileiro. A medida isola a narrativa bolsonarista de perseguição política e dá ao ministro maior espaço de manobra para agir internamente.
→ O Trump sinaliza uma relação pragmática com Lula que prioriza a estabilidade financeira e o fluxo de investimentos sobre o confronto ideológico. Esse cenário legitima internacionalmente a conduta de Moraes, fortalecendo sua ofensiva contra a antidemocracia e acelerando a fragmentação da direita bolsonarista.
Escrito por Anthonny Rivaldo, Ana Luísa Chan e Ana Clara Guitti.

Fonte: VALOR GLOBO
EUA recuam e destravam o impasse bilateral
A retirada de Alexandre de Moraes do regime Global Magnitsky e o recuo parcial nas tarifas funcionam como um ajuste de rota, onde Washington usou sanções e tarifa via emergência econômica como instrumentos de pressão política num momento de atrito com Brasília ao desfazer as medidas anteriormente tomadas. O governo Trump sinaliza que a escalada estava cobrando caro em comércio, ruído diplomático e risco de efeitos colaterais financeiros e que prefere voltar a uma relação transacional negociável com Lula. No tabuleiro doméstico brasileiro, o gesto enfraquece a estratégia bolsonarista de internacionalizar a narrativa contra o STF e, ao mesmo tempo, tende a ampliar a margem de manobra de Moraes por retirar o estigma externo que alimentava a oposição, o que pode empurrar a disputa para dentro do Congresso.
A exclusão de Moraes da lista Magnitsky revela uma aproximação entre Lula e Trump
A retirada do nome de Moraes da lista de sancionados, em conjunto com a retirada do tarifaço contra exportações brasileiras, indicam uma melhoria no relacionamento entre EUA e Brasil. Ambas as medidas também revelam um recuo do alinhamento de Trump com o ex-presidente Jair Bolsonaro após a sua prisão. Essa desescalada de tensões melhora as condições para o avanço de futuras negociações comerciais entre Lula e Trump, especialmente após a estabilização dos atritos diplomáticos fomentados pelo tarifaço americano e pela retórica de Lula pautada no slogan “Brasil soberano” no início do ano. Ademais, a exclusão de Alexandre de Moraes da lista Magnitsky já resultou em ações de bancos brasileiros subindo em até 2% devido à eliminação do risco dessas instituições serem sancionadas pelos EUA. Consequentemente, é provável a retomada de investimentos e fluxos comerciais entre empresas americanas e brasileiras de maneira mais expressiva após essa reestabilização diplomática entre ambos os líderes.
Recuo de Trump fortalece capital político de Moraes, mas sinaliza nova fase de polarização institucional
Com o êxito da diplomacia de Lula em restabelecer relações com os EUA, o recuo de Trump legitima a conduta de Alexandre de Moraes, minando a estratégia da oposição de projetar uma narrativa de autoritarismo judicial no exterior sobre o Brasil. Ademais, Moraes volta a ter maior espaço de manobra para manter uma postura firme no enfrentamento de atores considerados antidemocráticos por ter a validade jurídica de suas decisões reconhecida internacionalmente de modo a reforçar a percepção de solidez democrática do país e ampliar a centralidade do Judiciário. É altamente provável que a tensão entre o STF e o Congresso Nacional aumente, dado que a queda das sanções externas dão a Moraes maior capital político para agir contra a ala bolsonarista, o que deve impulsionar novos pedidos de impeachment e projetos de limitação de poderes da Corte no Legislativo.
O que a Index prevê?
A partir do recuo nas sanções e tarifas, o governo Trump sinaliza uma transição de uma diplomacia de confronto para uma relação pragmática e negociável com o governo Lula, visando mitigar riscos financeiros e retomar fluxos de investimento que haviam sido paralisados.
Com Moraes sem a pressão de sanções estrangeiras, a disputa provavelmente irá se concentrar no Congresso Nacional, com possível reação legislativa por meio de projetos de limitação de poderes da Corte e pedidos de impeachment.
Com a validade de suas decisões reconhecida por Washington, Moraes ganha segurança para continuar o enfrentamento a atores antidemocráticos. A fragmentação da direita tende a aumentar, forçando eleitores a buscar nomes que não possuam os mesmos entraves jurídicos.
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