Aliança nacionalista amplia pressão por separação do Reino Unido
PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO:BAIXO PROSPECTO FUTURO:NEUTRA
→ SNP, Plaid Cymru e Sinn Féin firmaram um acordo conjunto pela autodeterminação da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, ampliando a coordenação entre movimentos que defendem maior autonomia ou separação do Reino Unido. O pacto aumenta a pressão política sobre Londres, mas não altera as regras legais para uma eventual saída, e cada nação mantém estratégia, apoio popular e ritmo próprios.
→ A resistência do governo britânico limita mudanças constitucionais no curto prazo, mas a atuação conjunta tende a manter novos referendos na agenda no médio e longo prazo. A continuidade dessa pressão dependerá da permanência de governos favoráveis à autodeterminação e da capacidade dos partidos de demonstrar ganhos concretos com maior autonomia ou independência
Escrito por Heloisa Garcia e Luisa Du Bois

Fonte: Justin Tallis / AFP / CP via Correio do Povo
Partidos nacionalistas firmam acordo por saídas do Reino Unido
Os líderes do SNP, do Plaid Cymru e do Sinn Féin, partidos nacionalistas da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, assinaram em Cardiff um acordo que reconhece o direito de suas nações à autodeterminação. Como essas nações não controlam sozinhas os processos de saída do Reino Unido, o documento também defende que o governo britânico não bloqueie a decisão de suas populações sobre o próprio futuro. Pela primeira vez desde o início da devolução de poderes, as três nações possuem simultaneamente primeiros-ministros ligados a partidos favoráveis à independência ou à reunificação irlandesa.
O pacto também prevê maior cooperação entre os três partidos em pautas constitucionais e transforma demandas antes conduzidas separadamente em uma pressão coordenada sobre o governo britânico, embora cada um defenda um caminho diferente para uma eventual separação do Reino Unido. O próprio acordo reconhece que cada nação deverá decidir seu futuro “à sua maneira e em seu próprio tempo".
Partidos convergem no objetivo, mas divergem no processo
O acordo reúne três projetos políticos diferentes. O SNP busca a independência da Escócia e um novo referendo; o Sinn Féin defende que a Irlanda do Norte deixe o Reino Unido e se una à República da Irlanda; e o Plaid Cymru defende a independência do País de Gales, mas ainda não estabeleceu um prazo para uma votação. Assim, o pacto coordena os partidos em torno da autodeterminação, mas não estabelece um processo único ou uma data comum para a separação. O próprio acordo reconhece que cada nação deverá definir seu futuro de forma e em um momento próprios.
O apoio popular também varia entre as três nações. 47% apoiam a independência da Escócia, 36% defendem a reunificação irlandesa na Irlanda do Norte e 32% apoiam a independência do País de Gales. Essas diferenças limitam a adoção de uma estratégia comum, já que cada partido precisa adaptar o ritmo de sua agenda ao nível de apoio existente em sua própria população.
Governo britânico resiste a novos referendos separatistas
O primeiro-ministro Andy Burnham mantém resistência à abertura de novos processos de separação. Ele afirmou que um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte está, atualmente, “fora de questão” e classificou uma nova votação sobre a independência da Escócia como “fora dos limites”. Na Irlanda do Norte, o Acordo de Sexta-Feira Santa exige a convocação de um referendo caso haja indicação de maioria favorável à reunificação com a Irlanda, condição que o governo britânico afirma ainda não ter sido atingida.
Assim, o acordo entre os três partidos não altera as regras para uma eventual saída do Reino Unido e não possui efeito legal por si só. Ainda assim, uma eventual separação reduziria a extensão da União e retiraria de Londres a autoridade sobre competências hoje exercidas pelo governo britânico nesses territórios, o que ajuda a explicar a resistência a novos processos de independência. Ao mesmo tempo, a atuação conjunta dos três partidos aumenta a pressão política sobre o governo britânico ao manter a questão constitucional na agenda.
O que a Index prevê?
No médio e longo prazo, novos referendos tendem voltar à agenda caso a pressão política se mantenha e partidos favoráveis à autodeterminação continuem no governo. O acordo fortalece essa pressão ao transformar movimentos antes conduzidos separadamente em uma pauta coordenada, embora não altere as regras legais necessárias para uma eventual separação.
A continuidade da pressão separatista dependerá da capacidade dos partidos de demonstrar ganhos concretos com maior autonomia ou independência. Se benefícios econômicos, políticos ou institucionais forem percebidos como superiores aos custos da separação, a pauta tende a ganhar força e aumentar a pressão por novas votações. Caso esses incentivos enfraqueçam, o movimento tende a perder prioridade política.
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