top of page

Empresa chinesa no mercado nacional de minerais críticos: parceria estratégica com empresa brasileira em negociação

  • há 10 horas
  • 4 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: ALTO


 A empresa chinesa Gulf Resources estabeleceu um acordo com a empresa brasileira Montes Verdes Participações para facilitar a entrada da empresa estrangeira no mercado nacional de minerais críticos. A Gulf Resources busca sua expansão global e declara como meta de faturamento para 2027 um total de 180 milhões de dólares.  

→  Ao curto-médio prazo, a parceria entre as duas empresas será duradoura graças ao interesse chinês de se estabelecer no mercado brasileiro de terras raras. Enquanto o Brasil fecha a parceria com a empresa oriental, rivais chineses no país deverão indagar o governo brasileiro quanto ao aumento da competitividade no mercado de minerais críticos.


Escrito por Luiza Renovato, Manuela Romão e Manuela Ziegler


Fonte: Agência Brasil-China


Gulf Resources entra no mercado brasileiro de minerais críticos


A empresa chinesa Gulf Resources anunciou um acordo de cooperação estratégica com a empresa brasileira Montes Verdes Participações para criar uma joint venture, uma parceria empresarial com objetivo de realização de um projeto, voltada à exploração e ao desenvolvimento de lítio, bromo, terras raras e outros minerais no Brasil. A parceria pretende combinar os ativos minerais da empresa brasileira com a tecnologia, experiência industrial e canais comerciais da companhia chinesa. O valor do investimento, a participação de cada empresa e os projetos que serão incorporados ainda estão em negociação. O acordo estabelece, contudo, que as operações consolidadas pela Gulf deverão gerar pelo menos US$ 180 milhões em receitas em 2027 e crescer ao menos 20% ao ano nos cinco anos seguintes. O valor de US$ 180 milhões representa uma meta de faturamento, e não o montante a ser investido no Brasil. 

A operação faz parte da estratégia da Gulf Resources de reduzir sua dependência do mercado chinês e ampliar sua atuação internacional. Para o Brasil, o movimento ocorre em um momento de expansão do interesse estrangeiro pelo setor: empresas internacionais e grandes mineradoras   avaliam projetos nacionais de terras raras, enquanto o governo busca aumentar a atração de capital para minerais considerados essenciais à transição energética e às novas tecnologias.


Investimento chinês reforça posição estratégica dos minerais brasileiros


O avanço da Gulf Resources ocorre em um contexto no qual minerais críticos passaram a ocupar uma posição estratégica na competição econômica internacional, principalmente por sua utilização em baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás da China, mas ainda enfrenta dificuldades para desenvolver internamente as etapas mais sofisticadas da cadeia, como separação, refino e fabricação de ímãs permanentes. Dessa forma, a entrada de empresas com capacidade tecnológica e industrial pode acelerar a exploração das reservas brasileiras e ampliar investimentos em um setor no qual o país ainda possui produção limitada diante de seu potencial geológico. 

Entretanto, a nacionalidade da nova investidora adiciona uma dimensão geopolítica à operação. A China já concentra aproximadamente 85% a 90% do refino mundial de terras raras e cerca de 90% da produção de ímãs permanentes, além de aproximadamente 70% da capacidade global de refino de minerais críticos de maneira geral. A expansão de uma empresa chinesa para ativos brasileiros pode, portanto, ampliar a inserção do país nessa cadeia global, mas também reforçar a presença chinesa sobre etapas estratégicas do fornecimento internacional desses recursos.


Brasil busca atrair capital sem permanecer concentrado na extração mineral


A entrada da Gulf Resources coincide com um esforço do governo brasileiro para atrair investimentos e, simultaneamente, aumentar o processamento doméstico dos minerais extraídos no país. O Ministério de Minas e Energia lançou em 2026 um guia direcionado a investidores estrangeiros, que destacam oportunidades em exploração e transformação mineral. Paralelamente, o governo discute mecanismos para estimular que uma parcela maior do processamento e da agregação de valor das terras raras permaneça no Brasil.

A estratégia busca evitar que a expansão do setor reproduza a posição brasileira tradicional de exportador de matérias-primas com baixo processamento. Esse objetivo ganha maior relevância diante da disputa internacional por esses recursos. Enquanto empresas chinesas buscam ativos brasileiros, os Estados Unidos também ampliam investimentos no setor de terras raras do país, o que transforma o Brasil em um potencial fornecedor alternativo dentro da reorganização das cadeias globais. Nesse cenário, a capacidade brasileira de atrair capitais de diferentes origens e desenvolver processamento doméstico determinará se a expansão dos minerais críticos resultará em maior autonomia produtiva ou apenas em uma nova especialização na extração de commodities.


O que a Index prevê?

  • No curto prazo, é provável que a relação entre a Gulf Resources e a Montes Verdes Participações seja baseada no interesse chinês de projetar sua influência no mercado de minerais críticos e se afastar da dependência do mercado monopolista da China, junto ao desejo brasileiro de gerar mais lucro com seu recurso natural abundante.

  • Com essa nova parceria estratégica, é muito provável que o Brasil obtenha um alto lucro para investimento interno, visto que mesmo sem um valor certeiro, a estimativa do retorno será de aproximadamente 200 milhões de dólares.

  • A longo prazo, é provável que a empresa chinesa que busca reduzir sua dependência com o mercado chinês busque parcerias estratégicas em outros países da América Latina, com as quais possui relações comerciais estáveis. 


Comentários


bottom of page