Ibovespa Engata 6º Pregão de Queda com Rebaixamento do Brasil e Eleições
- há 22 horas
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RISCO PARA O BRASIL: ALTO
→ A queda contínua do Ibovespa, marcando sexto pregão consecutivo de perdas, reflete o crescente receio dos investidores com a aproximação das eleições presidenciais e incertezas no cenário doméstico. Em contrapartida, no âmbito econômico, o mercado reage negativamente ao rebaixamento da recomendação de ativos brasileiros promovidos pelo JPMorgan, que cortou a projeção em 5 mil pontos no fim de 2026.
→ No curto prazo, a postura cautelosa do Banco Central (Copom) frente à inflação diminui as expectativas de cortes na Selic. O Brasil começa a destoar de outros mercados emergentes, sofrendo com a saída de capital estrangeiro.
Escrito por Luísa Du Bois, Heloisa Bossolan

Fonte: Veja. JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações do país de compra para neutra (Patricia Monteiro/Bloomberg/Getty Images)
Cautela Eleitoral e Cenário Macroeconômico Ampliam ao Risco
O Ibovespa registrou sua sexta queda consecutiva, recuando 2,5% à marca de 167,8 mil pontos, uma vez que o mercado acionário brasileito atravessa um período de forte correção e volatilidade. Esse movimento é motivado, em grande parte, pelo compasso de espera e pela aversão ao risco gerada pela proximidade das eleições. O clima político incerto tem afastado os agentes econômicos, que preferem aguardar maior clareza sobre o cenário do país.
Além do fator político, o cenário macroeconômico interno apresenta desafios, ilustrados pela recente ata do Copom e dos dados do IPCA que sinalizam cautela por parte do Banco Central. A expectativa de cortes rápidos na taxa Selic foi frustrada, fazendo com que os vencimentos curtos de juros incorporem a possibilidade de pausa, enquanto os prazos longos permanecem expostos ao risco fiscal, ao petróleo e à inflação internacional.
Bancos Estrangeiros Rebaixam Ativos e Mercado Reflete Fuga de Capital
O rebaixamento da recomendação para ações brasileiras pelo banco JPMorgan foi um dos catalisadores mais agudos para a liquidação recente do mercado. O banco alterou sua recomendação para o país de compra para “neutra” e cortou a projeção do Ibovespa para o fim de 2026, reduzindo a estimativa de 190 mil para 185 mil. Esse movimento do JPMorgan se soma à decisão do UBS, que também já havia reduzido a recomendação dos ativos do Brasil de compra para “neutro” em maio deste ano.
Como consequência dessa deterioração de expectativas, o mercado sentiu uma expressiva fuga de capitais, impulsionando o dólar.
Impacto Cambial e Descompasso com Mercados Emergentes
Há um descompasso atual entre o Brasil e os demais países emergentes. Enquanto a bolsa brasileira acumula perdas sob peso dos juros futuros, da inflação e dos temores fiscais e eleitores, índices que acompanham as ações de emergentes em Nova York, como o ETF iShares MSCI Emerging Markets (EEM), operavam em alta, subindo 0,35%. Isso indica que a penalização dos ativos locais tem sido impulsionada primariamente por fatores particulares brasileiros, como as eleições e a incerteza acerca do futuro, e não por uma simples aversão global ao risco.
O que a Index prevê?
A transição ao longo dos próximos meses será marcada por alta volatilidade. As eleições continuarão adicionando prêmios de risco, retorno adicional que um investidor exige para escolher um investimento arriscado em vez de um mais seguro, o que dificulta a recuperação sustentável do índice.
O Banco Central deve manter uma postura conservadora em relação à Selic, ou seja manter a taxa de juros alta. Picos inflacionários e repasse de custos travarão o ciclo de afrouxamento monetário.
Como mercado emergente, o Brasil enfrentará desvantagens da captação externa se o cenário doméstico não oferecer maior estabilidade e segurança institucional frente a outras economias globais.
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