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Rússia e Ucrânia continuam com impasses para alcançar o desfecho da guerra

há 3 horas
4 min de leitura

PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: ALTO PROSPECTO FUTURO: PESSIMISTA


→ Mesmo em meio a ganhos territoriais limitados, a guerra entre Rússia e Ucrânia já se estende por mais de 4 anos. O secretário de Estado dos EUA classifica o conflito como um “impasse perigoso”, já que a dificuldade de encerramento, além de ter custos significativos, coloca em risco os países vizinhos, a população e a infraestrutura da região. Diante desse cenário, o governo americano tem pressionado por negociações diplomáticas e pelo “cessar-fogo” definitivo entre os dois países.

→  A tendência é que haja uma continuidade do desgaste militar, sem uma vitória decisiva no curto prazo, assim como a ausência de um acordo de paz definitivo diante das divergências entre as partes.  A Rússia, dessa forma, deve manter a guerra híbrida contra países europeus, ampliando as tensões regionais, embora o risco de um confronto militar direto com a OTAN permaneça menos provável.



Escrito por Marcela Retore e Rebeca Lavalle



Fonte: Reuters


O impasse militar: uma guerra de desgaste


A guerra da Rússia contra a Ucrânia entrou em uma fase prolongada de desgaste, caracterizada por ganhos territoriais limitados, elevados gastos militares e ataques contínuos de longo alcance. Em 8 de outubro de 2026, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, descreveu o conflito como um “impasse perigoso” (dangerous stalemate), destacando a dificuldade de alcançar um desfecho decisivo no campo de batalha. Essa avaliação, contudo, não implica que os dois lados possuam capacidades militares equivalentes ou que os combates tenham cessado. Ela indica, antes, a dificuldade de converter as operações militares em uma vitória estratégica decisiva.

Esse impasse acarreta custos significativos. A continuidade dos combates consome recursos militares, pressiona infraestruturas e populações civis e aumenta o risco de que uma nova escalada amplie o conflito para além do território ucraniano. Rubio alertou especificamente para a possibilidade de atos de sabotagem em países vizinhos membros da OTAN, o que transformaria uma guerra entre Rússia e Ucrânia em uma crise de segurança regional mais abrangente, o que prolongaria e tornaria o impasse ainda mais destrutivo.


A atuação americana sobre o conflito


Nas últimas semanas, o governo americano vem procurando formas de retomar negociações e encerrar, de uma vez por todas, o conflito que já dura mais de 4 anos. O governo de Donald Trump não acredita que uma solução militar vá pôr fim ao conflito e alerta que uma escalada poderia significar uma guerra regional generalizada. Assim, o presidente americano pediu a Volodymyr Zelensky, líder ucraniano, que seus ataques fossem interrompidos e afirmou que no último mês, os países envolvidos no conflito haviam concordado com um "cessar-fogo energético". Ele ressaltou, ainda, que os recentes ataques ucranianos à infraestrutura energética russa são as principais razões do aumento do preço do diesel, e não sua guerra de sete meses com o Irã. 

Em meio às tentativas americanas de resolução do conflito, na sexta-feira e no sábado (9 e 10 de outubro) foram realizadas visitas programadas de ucranianos a Miami, contando com a presença de representantes da Europa e da OTAN, em busca de propostas a serem apresentadas à Rússia antes do avanço do inverno. As negociações ocorreram no mesmo dia em que Trump afirmou que a Rússia concordou em fornecer diesel aos mercados globais, buscando reduzir o preço dos combustíveis. Assim, os EUA suspenderam sanções anteriormente impostas ao país anteriormente devido à guerra. O acordo gerou críticas tanto de parlamentares americanos quanto de Zelensky.


Por que o fim da guerra parece tão complexo?


Se por um lado os Estados Unidos se dizem prontos para ajudar na busca pelo fim da guerra entre os dois países, por outro, a divergência entre seus pontos de vista sobre o desfecho do conflito continua muito relevante.  Desde 2021, a produção ucraniana reduziu consideravelmente, impactando fortemente em sua economia. Além disso, seus custos de reconstrução da infraestrutura já estão estimados em US$600 bilhões e a crise humanitária já envolve mais de 17 mil civis mortos e 53 mil feridos, além de milhões de refugiados. Fora isso, as perdas militares são estimadas de 125 mil a 150 mil soldados ucranianos mortos.

Já do lado russo, estimativas independentes indicam cerca de 1,4 milhão de mortos, feridos e desaparecidos. As perdas incluem também bens materiais das forças armadas (milhares carros de combate, quase 200 aeronaves e dezenas de navios). Além disso, o país tem sofrido cada vez mais ataques de drones ucranianos sobre sua infraestrutura energética, reduzindo as exportações russas de petróleo e demais combustíveis. Isso provocou um aumento significativo dos ataques à Ucrânia, fazendo com que a pressão russa cresça sobre ela e os países europeus que apoiam seu adversário, tanto com guerra híbrida (ataques cibernéticos e espionagem), quanto com a ameaça nuclear, explicitando aos governos europeus que uma ampliação de seu envolvimento no conflito poderia produzir consequências imprevisíveis.

Assim, enquanto a Ucrânia continua resistindo e impondo custos crescentes aos russos, a Rússia acredita que o tempo trabalha a seu favor para a quebra de persistência ucraniana e de seus aliados europeus. Desse modo, com tamanhos investimentos no conflito, ambos os lados acreditam que continuar lutando deve produzir situações melhores para seu desfecho e que seus enormes custos não serão suficientes para produzir a paz por si só.



O que a Index prevê?


  • No curto prazo, há uma alta probabilidade da Rússia e da Ucrânia continuarem priorizando operações militares para melhorar suas posições estratégicas, sem que qualquer um dos lados consiga impor uma derrota decisiva ao adversário. A continuidade dos combates deve elevar os custos humanos e materiais sem garantir avanços territoriais proporcionais.

  • Apesar da pressão americana por negociações, é altamente provável que as divergências sobre as condições para encerrar a guerra devem impedir um acordo definitivo. Iniciativas diplomáticas tem a possibilidade de produzir entendimentos pontuais, como acordos limitados sobre infraestrutura energética, sem resolver as disputas territoriais e as garantias de segurança que sustentam o conflito.

  • É muito provável que a Rússia continue recorrendo à  guerra híbrida de forma a ampliar sua pressão sobre os países europeus, sem confronto militar direto. Instrumentos como cibernéticos, espionagem e operações de desestabilização devem persistir  para elevar os custos do apoio europeu à Ucrânia. Embora uma expansão direta da guerra para outros países da OTAN permaneça menos provável, uma intensificação das tensões políticas, econômicas e de segurança entre a Rússia e os países europeus deve continuar elevando os riscos de escalada.





















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