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Shield of the Americas é uma instrumentalização de Washington para favorecer a “Doutrina Donroe”

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: MÉDIO-BAIXO


→ Após uma crescente influência da China no continente, Trump busca se aproximar dos países latino-americanos para reatar sua influência na região através do Shield of the Americas. Entretanto, a cooperação também serve como instrumento político para isolar regimes não alinhados com a Casa Branca.

→ Caso o programa apresente resultados favoráveis, a influência Americana aumentará, ao passo que Moscou e Pequim saem com uma menor influência no continente. Ademais, regimes como o Cubano serão forçados a cederem para a agenda de Donald Trump, uma vez que estarão isolados politicamente.


Escrito por Henrique Zarich e Érico Mazzini.


Fonte: BBC News


“Shield of the Americas” é uma tentativa americana de reconquistar influência


Na recente reunião de Trump com outros 14 líderes da América Latina que foi convocada sobre o projeto de coordenação mútua “Shield of the Americas”, o presidente americano levantou a questão da cooperação entre os líderes presentes com Washington para erradicar o narcotráfico do continente o mais rápido possível. Entretanto, é possível observar que recentemente o governo americano utiliza do discurso com relação ao combate aos fluxos de drogas na região para atingir objetivos que convergem com interesses americanos. Desta forma, essa iniciativa de Trump pode ser configurada como uma estratégia para reatar o apoio e relações diplomáticas de Washington com os Estados latino-americanos, oferecendo uma solução para uma questão que é comum à maioria. Utilizando desta estratégia, Washington poderia desenvolver maiores fluxos de informação e algum grau de integração com estes países a fim de garantir essa proximidade com a grande potência americana, uma vez que ela estava sendo deteriorada em meio aos esforços chineses para aumentar sua presença.


Cooperação promovida por Trump é uma estratégia para evitar influência chinesa


Com o incentivo às reuniões de líderes latino-americanos com Trump, é aberto um novo canal de interação e debate sobre as principais questões que circundam o continente, mas principalmente a cooperação entre os países para o fim do narcotráfico. A tentativa surge após um período de meses em que Washington foi responsável por aplicar tarifas de importação à diversos países e tensões na região com a operação na Venezuela. Devido à esses acontecimentos recentes, Pequim cresceu como uma alternativa à instabilidade e imprevisibilidade americana e buscou usar da situação para consolidar relações com países como Canadá e Reino Unido. Por isso, em meio à situação em que o americano se encontra com os países latino-americanos, é extremamente provável que a proposta das reuniões e da própria cooperação seja uma estratégia também para evitar a presença e influência chinesa na região. Isto, uma vez que a grande potência asiática se constrói como uma alternativa aos Estados Unidos.


“Shield of the Americas” é um instrumento seletivo


Com a reunião dos países americanos, Trump instrumentaliza o evento como forma de isolamento regional para países não alinhados com a política de Washington. Ao excluir Cuba e Venezuela, o presidente americano reforça seu objetivo de fomentar uma exclusão de regimes antagônicos. O Presidente americano comentou a exclusão de países que não aceitaram a ajuda americana contra os cartéis, como o México, que foi excluído da cooperação. No encontro, Trump anunciou também que o regime cubano cairá brevemente, visto que afirmou que Havana está em negociações diretas com seu secretário de Estado, Marco Rubio. Assim, o “Shield of the Americas” funciona como um instrumento seletivo de exclusão de países sob critérios de conveniência ideológica, uma vez que para Washington busca isolar países com agendas próximas da China e Rússia.

 


O que a Index prevê? 


  • Caso o programa seja um sucesso, os Estados Unidos isolará países de regimes antagônicos na região, favorecendo sua influência no continente.


  • Com um maior custo logístico e político, Cuba deverá ceder às exigências americanas e se tornar mais próxima de Washington.


  • Em um longo prazo, é altamente provável que Rússia e China tenham uma menor influência na América Latina.








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