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Acordo comercial entre EUA e China alivia o clima de tensão e imprevisibilidade

há 5 horas
3 min de leitura

PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: MÉDIO-ALTO PROSPECTO FUTURO: OTMISTA


→ China e Estados Unidos concordaram em reduzir tarifas sobre US$60 bilhões em comércio bilateral, divididos igualmente entre produtos dos dois países, e estenderam a trégua comercial até 10 de janeiro de 2027. O acordo inclui produtos agrícolas, industriais e bens de consumo, além de compromissos em áreas como agricultura, carvão, serviços financeiros, inteligência artificial e voos diretos. As reações ao acordo foram muito positivas por parte do sistema financeiro mundial.

→ Mesmo com um acordo comercial estabelecido, setores estratégicos do comércio ainda estão estagnados em tarifas. Ao mesmo tempo, com a falta de investimentos e subsídios para pesquisa e desenvolvimento, indústrias high tech americanas sofrem o risco de perderem competitividade. Pelo lado chinês, Pequim arrisca uma aproximação diplomática mais pacífica para acalmar a pressão de investidores.



Escrito por Érico Mazini, Natália Rorato



Fonte: Andrew Harnik/Getty Images


Redução de tarifas sinaliza distensão econômica entre China e EUA


A redução recíproca de tarifas e a extensão da trégua comercial indicam uma diminuição das tensões econômicas entre China e Estados Unidos (EUA). Ao reduzir barreiras sobre US$60 bilhões em mercadorias, os dois países ampliam o acesso de seus produtos ao mercado adversário e diminuem parte dos custos associados à disputa comercial. Além disso, a manutenção de negociações regulares e a criação de novos canais de diálogo aumentam a previsibilidade para empresas que dependem do comércio bilateral. Nesse sentido, o acordo favorece uma relação comercial mais eficiente e menos sujeita a mudanças tarifárias abruptas, ainda que permaneçam divergências em setores estratégicos e outras frentes da relação sino-americana.



Trump propõe maior uso de tarifas para proteger setores estratégicos


A redução das tensões comerciais, entretanto, não significa que Washington esteja abandonando a estratégia de diminuir sua dependência externa em setores considerados essenciais. Essa preocupação já estava presente no governo Biden, que adotou o CHIPS Act para fortalecer a produção doméstica de semicondutores por meio de subsídios à construção de fábricas e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A estratégia buscava ampliar a capacidade produtiva dos EUA e estimular inovação tecnológica e aumentar a competitividade das empresas americanas. 

Trump mantém o objetivo de fortalecer a indústria americana, mas rejeita a estratégia de subsídios adotada por Biden. Em 2025, o presidente defendeu a eliminação do CHIPS Act ao argumentar que a ameaça de tarifas seria suficiente para levá-las a produzir nos EUA. Sua estratégia, portanto, dá maior peso à proteção tarifária, produtos estrangeiros ficam mais caros, incentivando empresas a produzir dentro do país. Embora isso possa reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, uma proteção prolongada também tende a diminuir a pressão sobre as empresas para aumentar sua eficiência, investir em pesquisa e desenvolver novas tecnologias.



O Sistema Financeiro Mundial reage com entusiasmo, mas a diplomacia “panda” chinesa esconde um interesse próprio


Após o encontro dos dois líderes, a porta-voz do FMI, Julia Kozak afirmou que as negociações foram uma contribuição significativa no comércio internacional ao aumentar a previsibilidade do ambiente comercial. Entretanto essa previsibilidade faz parte de uma agenda ampla da política externa chinesa, uma vez que Pequim comumente busca uma aproximação em termos amigáveis para acalmar investidores, demonstrando não estarem aptos a arcarem custos de uma guerra. Isso significa que Xi Jinping possivelmente está tentando acalmar a situação para demonstrar um melhor manejo diplomático, exaltando uma figura aberta à coordenação comercial para “esfriar” o cenário de pressão de diversos investidores internacionais.



O que a Index prevê?


  • É provável que a maior previsibilidade nas relações comerciais estimulem empresas chinesas e americanas a retomar ou ampliar contratos e investimentos ligados ao comércio bilateral, especialmente nos setores beneficiados pela redução tarifária. A tendência, porém, deve permanecer concentrada em áreas não estratégicas, já que as principais disputas tecnológicas e industriais entre os dois países continuam.

  • Caso a estratégia de Trump continue priorizando tarifas em vez de subsídios e investimentos públicos em inovação, a produção de semicondutores nos EUA tende a crescer mais rapidamente do que sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento. As tarifas já foram usadas pelo governo para incentivar a fabricação doméstica, enquanto o CHIPS Act combinava apoio à produção com recursos voltados também à P & D. No médio prazo, isso pode ampliar a capacidade industrial americana sem garantir ganhos equivalentes de produtividade e liderança tecnológica.

  • É altamente possível que uma expansão militar chinesa para a ilha de Taiwan seja improvável ou adiada ao longo prazo, uma vez que a agenda diplomática do país está priorizando o contato com os Estados Unidos, demonstrando previsibilidade para investidores. A China também está buscando acumular capacidades materiais.





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