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Turquia se aproxima da SCO e amplia margem de manobra entre Ocidente e Oriente

há 15 horas
4 min de leitura

PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: MÉDIO-ALTO PROSPECTO FUTURO: ESTÁVEL


→ O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan propôs a entrada da Turquia na Organização para Cooperação de Xangai (SCO), menos de dois meses após o país sediar a cúpula da OTAN. O movimento ocorre enquanto Ancara mantém sua posição na aliança militar ocidental e amplia relações políticas, econômicas e diplomáticas com China e Rússia.

→A estratégia turca busca preservar benefícios de diferentes centros de poder sem assumir alinhamento integral com nenhum deles. Ao equilibrar vínculos com a OTAN e instituições lideradas por países não ocidentais, a Turquia amplia sua margem de negociação, mas mantém sua dependência da aliança ocidental para segurança e da Europa para relações econômicas


Escrito por Heloisa Garcia e Luisa Du Bois



Fonte: Turkish President Recep Tayyip Erdoğan speaks during a media conference at the NATO summit in Ankara, Turkey, in July 2026. Photo: AP /Emrah Gurel via The Conversation - ASIATIMES


Turquia busca entrada na SCO sem abandonar a OTAN


Menos de dois meses depois de sediar, em Ancara, a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aliança militar da qual faz parte desde 1952, o presidente Recep Tayyip Erdoğan propôs que a Turquia se torne membro pleno da Organização para Cooperação de Xangai (SCO). Liderada principalmente por China e Rússia, a SCO reúne países em uma estrutura de cooperação política, econômica e de segurança diferente das instituições tradicionalmente lideradas por potências ocidentais. A proposta de Erdoğan ocorre enquanto a Turquia continua integrada à OTAN e mantém sua relação econômica com a Europa. Dessa forma, Ancara busca ampliar sua participação em instituições ligadas a China e Rússia sem abandonar os vínculos políticos e de segurança construídos com o Ocidente.


Turquia usa vínculos com diferentes blocos para ampliar sua autonomia


A estratégia turca ganha relevância porque OTAN e parceiros não ocidentais oferecem benefícios diferentes para Ancara. A OTAN continua sendo a principal estrutura de segurança da Turquia, enquanto os vínculos com a Europa sustentam relações econômicas importantes. Ao mesmo tempo, Erdoğan aprofundou relações com Rússia e China e ampliou a participação turca em fóruns que não dependem da liderança ocidental. Na guerra da Ucrânia, por exemplo, a Turquia condenou a invasão russa e forneceu armas a Kyiv, mas não aderiu às sanções ocidentais contra Moscou e manteve relações econômicas e diplomáticas com o Kremlin. 

A manutenção desses canais permite que a Turquia preserve benefícios oferecidos por diferentes parceiros sem assumir integralmente as posições de nenhum deles. Ao manter relações com países que estão em lados opostos de determinadas disputas, Ancara amplia as opções disponíveis para negociar e reduz a capacidade de um único bloco de condicionar sua política externa. Essa lógica também explica a aproximação com a Organização para Cooperação de Xangai. A entrada na organização ampliaria o espaço de atuação da Turquia ao lado de China e Rússia sem representar, necessariamente, um afastamento da OTAN.


Novos centros de poder ampliam margem de atuação da Turquia


A estratégia turca também reflete uma ordem internacional na qual diferentes instituições e centros de poder coexistem e disputam influência. A OTAN permanece como a principal estrutura de segurança da Turquia, mas organizações como a SCO e fóruns regionais oferecem a Ancara canais adicionais de cooperação política, econômica e diplomática. A Turquia já utiliza essa lógica em diferentes regiões, inclusive ao participar do processo de Astana ao lado de Rússia e Irã para discutir a guerra na Síria, apesar de manter posições distintas desses países em outras áreas.

A existência de diferentes fóruns reduz a necessidade de a Turquia concentrar sua política externa em um único bloco. Ancara consegue escolher a instituição mais conveniente para cada interesse, mantendo a OTAN como base de segurança enquanto amplia relações com atores não ocidentais em outras frentes. Esse movimento reforça a capacidade turca de negociar entre centros de poder concorrentes e mostra como a expansão de instituições fora do eixo ocidental aumenta as opções disponíveis para países que buscam maior autonomia internacional



O que a Index prevê?


  • Em uma crise que ameace diretamente a segurança turca, a tendência é que Ancara priorize sua relação com a OTAN. Apesar da aproximação com Rússia, China e a SCO, a aliança atlântica continua sendo a principal estrutura de segurança da Turquia. Quanto maior a ameaça militar, menor tende a ser o espaço para Erdoğan manter a mesma distância entre os dois lados.

  • A aproximação da Turquia com instituições não ocidentais tende a reforçar uma ordem internacional menos concentrada no Ocidente. A existência de fóruns liderados por China e Rússia amplia as alternativas disponíveis para países que buscam parceiros sem depender exclusivamente de instituições ocidentais. Quanto mais essas alternativas se consolidarem, maior tende a ser a capacidade de países como Índia, Arábia Saudita e Indonésia de negociar entre diferentes centros de poder.

  • A estratégia de equilíbrio entre diferentes blocos tende a aumentar os desafios diplomáticos da Turquia. Ao manter relações simultâneas com parceiros que possuem interesses conflitantes, como Rússia e países da OTAN, Ancara amplia sua autonomia, mas também precisa administrar disputas entre esses atores. Quanto maior o envolvimento turco em diferentes fóruns, maior tende a ser a necessidade de evitar que uma aproximação com um lado prejudique suas relações com o outro.





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