Ataques marcam início do governo de de la Espriella na Colômbia e tensionam cenário de segurança
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RISCO PARA O BRASIL: BAIXO
→ → Uma série de ataques com drones e explosivos em subestações policiais e pedágios, ocorridos logo após a posse de Abelardo de la Espriella, marca o início de uma gestão focada em uma linha dura contra o terrorismo. O cenário reflete o rompimento com a estratégia de "paz total" do governo anterior e o desafio imediato de conter grupos armados dissidentes em um contexto de alta polarização.
→ Diante disso, espera-se um momento de elevação da violência na Colômbia e de conflito direto entre as Forças Armadas do Estado e os grupos armados. Essa situação causará divisões na opinião pública, o que abalará o início do mandato de Abelardo de la Espriella.
Escrito por Lorena Pontirolli e Lucas Risso

Fonte: Brasil de Fato https://www.brasildefato.com.br/2026/08/09/ataques-a-bomba-marcam-primeiro-dia-do-governo-de-extrema-direita-da-colombia/
O que aconteceu?
Na madrugada de sexta para sábado (07/08), um chefe de polícia foi morto e outro policial ficou ferido após um ataque com drones que lançaram explosivos sobre uma subestação policial em Curumaní, no nordeste da Colômbia. O episódio ocorreu apenas um dia após a posse do presidente de direita Abelardo de la Espriella. Paralelamente, no sábado, outro ataque com explosivos destruiu um pedágio em construção no sudoeste, próximo a Cali, e um terceiro atentado ocorreu no dia 8 contra um pedágio na rodovia pan-americana, na região de Mondomo, deixando dois seguranças feridos. As autoridades atribuíram os ataques a grupos armados ligados a Iván Mordisco, dissidente das extintas FARC.
Os ataques simbolizam um enfraquecimento precoce do novo presidente
De la Espriella subiu à presidência com a promessa política de priorizar a segurança e “derrotar o terrorismo” na Colômbia. Durante a corrida eleitoral, o político destacou sua intenção de enrijecer a luta contra o terrorismo e abandonar a estratégia de negociações com grupos armados utilizada pelo antecessor, Gustavo Petro, a chamada Política de Paz Total. Em seu discurso de posse, de la Espriella afirmou que ordenará o combate frontal a grupos armados que disseminam violência e que publicará uma lista de organizações que passarão a ser classificadas como narcoterroristas.
O fato de a série de ataques acontecer apesar do posicionamento firme do novo presidente colombiano aponta para um enfraquecimento precoce de de la Espriella e transmite a imagem de um presidente que já assume o cargo desgastado. As ocorrências também indicam que o político não terá facilidades em implementar as pautas relativas à segurança.
Previsões para o futuro da Colômbia
Tendo em vista o posicionamento de de la Espriella ao afirmar que não haveria impunidade para os perpetradores dos ataques e as promessas do presidente de repressão à violência, é de se esperar embates diretos entre as Forças Armadas colombianas e os grupos armados que atuam no país. Como consequência, esse cenário elevará os níveis de violência na Colômbia e tornará mais crítica a segurança dos civis.
O cenário mais violento tende a dividir opiniões do público. Haverá o segmento da população que apoiará a linha dura de combate à violência sugerida pelo presidente ao passo que existirá a parcela do eleitorado que defenderá o abandono ao plano de de la Espriella ou até mesmo o retorno à Política de Paz Total adotada por Petro. Nesse sentido, a prevalência do atual presidente no poder depende, em partes, da capacidade de de la Espriella de impedir que a opinião pública rejeite suas pautas de segurança ou que tenda para a retomada da estratégia de negociação entre o governo da Colômbia e os grupos armados.
O que a Index prevê?
Alta probabilidade de aumento da violência na Colômbia nos próximos meses em virtude de confrontos diretos entre as Forças Armadas do Estado e os grupos armados;
Alta probabilidade de queda na popularidade de Abelardo de la Espriella, apesar dos poucos dias do governo, em virtude da elevação da violência;
Para se manter no poder, o presidente deverá, entre outras coisas, saber lidar com o abalo precoce em sua popularidade e impedir que sua base apoiadora mude de opinião.
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