Canadá desafia pressão comercial dos EUA
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RISCO PARA O BRASIL: BAIXO
→ O Canadá rejeitou as condições dos EUA para reduzir tarifas sobre produtos canadenses, após Washington exigir maior alinhamento à sua política comercial contra a China. Com o fracasso das negociações, os EUA impuseram tarifas de 50% sobre produtos canadenses e Ottawa retaliou com tarifas sobre importações americanas
→ No curto prazo, a escalada tarifária deve aumentar os custos para empresas canadenses dependentes do mercado americano e pode incentivar a transferência de parte da produção para os Estados Unidos. Paralelamente, o Canadá tende a acelerar a diversificação de seus parceiros comerciais para reduzir sua dependência dos EUA e evitar que sua política econômica fique condicionada às decisões de Washington.
Escrito por Luisa Du Bois, Heloisa Garcia e Augusto Oliveira.

Fonte: Saul Loeb / AFP / CP
Canadá rejeita pressão comercial dos EUA
As tarifas impostas por Washington sobre produtos canadenses encarecem o comércio entre os dois países e pressionam setores integrados, como o automotivo e o siderúrgico, o que levou Estados Unidos e Canadá a abrirem negociações para reduzir essas barreiras. Durante as conversas, porém, Washington condicionou a redução das tarifas a um maior alinhamento do Canadá com sua política comercial contra a China. Entre as exigências, os EUA queriam que Ottawa aumentasse as tarifas sobre produtos chineses para níveis semelhantes aos cobrados pelos próprios Estados Unidos e impedisse que empresas chinesas usassem o Canadá como rota alternativa para vender ao mercado americano e, assim, evitar as tarifas aplicadas diretamente por Washington. O governo de Mark Carney recusou essas condições por considerar que elas limitariam a autonomia canadense para definir sua própria política comercial e negociar com outros países, o que levou ao encerramento das negociações sem acordo.
Escalada tarifária aumenta custos para o Canada
Com o fim das negociações, os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre cerca de US$20 bilhões em produtos canadenses, enquanto o governo de Mark Carney anunciou tarifas equivalentes sobre produtos americanos, incluindo aço, alumínio, laticínios, eletrônicos e equipamentos agrícolas. Apesar de as novas medidas atingirem apenas uma parcela das exportações canadenses aos EUA, Donald Trump também ameaçou aumentar as tarifas sobre automóveis, caminhões, autopeças e aço caso parte da produção não seja transferida para o território americano. A ampliação dessas barreiras pode atingir setores fortemente integrados entre os dois países, encarecer insumos e componentes importados dos EUA e reduzir o acesso das empresas canadenses ao seu principal mercado externo.
China amplia o dilema comercial canadense
A resistência de Mark Carney também está ligada aos custos que o Canadá já enfrentou ao acompanhar a política comercial dos Estados Unidos contra a China. No ano passado, Ottawa seguiu Washington e aplicou tarifas de 100% sobre veículos elétricos chineses, o que levou Pequim a responder com tarifas de 100% sobre a canola, um dos principais produtos canadenses vendidos ao mercado chinês. Como consequência, as exportações canadenses de óleo, farelo e sementes de canola para a China caíram pela metade, mostrando que um maior alinhamento com os EUA também pode gerar perdas em outros mercados importantes. Dessa forma, o Canadá busca evitar que sua relação econômica com a China seja definida pelas decisões de Washington e preservar maior liberdade para diversificar seus parceiros comerciais.
O que a Index prevê?
No curto prazo, as tarifas canadenses sobre produtos americanos devem encarecer os bens importados dos Estados Unidos e tornar os produtos canadenses mais competitivos no mercado interno. É provável que empresas canadenses afetadas pelas tarifas dos EUA redirecionem parte da produção antes destinada ao mercado americano para o Canadá, ocupando o espaço deixado por produtos americanos que ficaram mais caros com as tarifas.
Caso Trump avance com novas tarifas sobre automóveis, caminhões, autopeças e aço, empresas que dependem do mercado americano devem transferir parte de sua produção ou de novos investimentos do Canadá para os Estados Unidos para evitar as barreiras comerciais. Esse movimento pode ampliar a perda de empregos e investimentos canadenses nos setores mais integrados à economia americana.
Com o aumento do custo econômico de depender dos Estados Unidos e o histórico de retaliações chinesas, é provável que o Canadá acelere a busca por novos parceiros comerciais e reduza gradualmente sua dependência do mercado americano. Esse movimento pode aproximar Ottawa de outros mercados, principalmente em um cenário de negociações comerciais cada vez mais condicionadas às decisões de Washington.
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