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Donald Trump se torna o “Guardião do Estreito de Ormuz”, e cobra pedágio de 20% sobre a carga transportada

  • há 4 minutos
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RISCO PARA O BRASIL: MÉDIO-BAIXO


Com o desgaste da figura de Donald Trump no cenário nacional, um cessar-fogo estável a longo prazo é, apesar de desejável, pouco provável. Ao controlar o Estreito de Ormuz, Trump visa restabelecer a economia global e mudar a opinião pública estadunidense a seu favor. Diante das incertezas acerca da segurança e estabilidade do Estreito de Ormuz, o conflito continuará impactando os preços na economia global.

→  É provável que a imagem de Donald Trump se desgaste domesticamente com o prolongamento do conflito. As flutuações nos preços dos combustíveis e alimentos tendem a se manter, dado que as declarações acerca da segurança e estabilidade do Estreito de Ormuz são incertas. Para o Brasil, tais incertezas e flutuações reverberam na estabilização da inflação doméstica a níveis mais altos.


Escrito por: Ana Luísa Ferreiro Chan, Beatriz Rodrigues Graner e Lorena Pontirolli Branco



Fonte: AFP / CP


Com a interrupção do cessar-fogo e do acordo fechado entre os EUA e Irã, a estabilidade de um futuro acordo entre países parece incerta 

 

Diante da troca de hostilidades entre os dois países nesta segunda-feira (13), um acordo bilateral entre os EUA e o Irã estável a longo prazo se torna uma realidade improvável uma vez que ambos os países têm interesse em manter o controle total da região. Enquanto o Irã, com o seu bloqueio do Estreito de Ormuz, busca reduzir a presença e influência militar americana na região, Trump insiste em manter o fluxo aberto do comércio na tentativa de estancar os efeitos da crise petrolífera na economia global e nacional, além de recuperar a sua base de apoio republicana domesticamente. 

Tendo em vista a política doméstica estadunidense, um acordo de paz é desejável de modo a manter a opinião pública nacional a favor de Trump, uma vez que o fim dos ataques militares e a estabilização dos preços globais favoreceriam os republicanos nas eleições de meio de mandato em outubro. No entanto, tal fragilidade do presidente americano no cenário doméstico é benéfica para o Irã, uma vez que o reaquecimento do conflito pode tornar Trump mais propenso a um acordo futuro que favoreça o Irã em relação ao controle do Estreito de Ormuz, de forma a garantir um cessar-fogo permanente, e preservar a opinião pública americana favorável ao atual presidente nas eleições de meio de mandato como consequência de uma barganha bem sucedida.



Embora a estratégia não esteja clara, Trump assume o controle dos portos iranianos, e cobra pedágio a fim de cobrir os custos militares

Haja vista a necessidade de normalizar a economia global e nacional em meio a um período de crise, Trump aposta no controle do Estreito de Ormuz como estratégia para atenuar os efeitos do conflito no Oriente Médio, apesar de o presidente dos EUA não ter deixado claro quais serão os mecanismos a serem implementados que garantirão que a segurança e estabilidade da região sejam duradouras. Por meio do controle do fluxo de hidrovia, Trump visa restabelecer o comércio internacional e as expectativas do mercado financeiro acerca dos preços do petróleo. Dessa maneira, o presidente americano também visa proteger a redução da crise inflacionária global e a subsequente crise econômica nacional, aumentando o apoio do eleitorado americano a seu favor nas eleições de meio de mandato. O pedágio de 20% sobre a carga transportada pelos navios é, de acordo com o presidente, uma maneira de cobrir os custos militares de manter a região do Estreito estável. 

Diante do posicionamento de Donald Trump, autoridades iranianas ressaltam que o papel de proteger o Estreito de Ormuz é do Irã, e por isso, o país árabe deveria ser o responsável por arrecadar valores justos de navios navegantes. Essa é uma tentativa do governo iraniano de se posicionar como soberano sob seu território, e assim, enfraquecer o controle americano sobre o Estreito.



Apesar de ambos os países se responsabilizarem pela segurança no Estreito de Ormuz, a promessa de restauração do fluxo do Estreito não se faz crível, o que reverbera no mercado brasileiro

Pelo fato de não haver evidências críveis de que um dos países será capaz de manter a estabilidade e livre fluxo do Estreito, analistas macroeconômicos avaliam que, se o comércio internacional não se estabilizar, a crise continuará a impactar o preço do petróleo, dos combustíveis e dos alimentos. Apesar de a inflação brasileira ter desacelerado, o que resultou na redução da taxa Selic, o reaquecimento de tensões na hidrovia voltará a impactar os preços dos produtos dependentes de exportação, o que afetará as expectativas dos investidores no curto prazo. Apesar de o governo brasileiro aplicar alíquotas de 12% sob a exportação de petróleo, o que diminuiu a vulnerabilidade do mercado brasileiro frente ao choque da commodity no início do conflito, analistas reforçam a importância de uma política comercial internacional que considere a continuidade do conflito no longo prazo, e os seus efeitos na inflação e exportação brasileiras.


O que a Index prevê?


  • Dado que a estabilidade do Estreito de Ormuz parece incerta, é provável que a imagem de Donald Trump se desgaste nos próximos meses, o que pode comprometer os republicanos nas eleições de meio de mandato. 

  • Caso Trump seja incapaz de, por meio de suas movimentações, estabilizar a situação no Estreito, os preços dos combustíveis e dos alimentos continuarão a flutuar. Tal possibilidade também comprometeria o presidente americano domesticamente, por afastar o eleitorado de suas decisões.

  • Dado que não há evidências de que o fluxo pela hidrovia irá se estabilizar, economias exportadoras continuarão a ser afetadas pelos altos preços dos combustíveis, enquanto os consumidores continuarão a enfrentar altos preços em alimentos. Para o Brasil, é esperado que a inflação cresça moderadamente com o prolongamento do conflito.
























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