Dívida a 82,9% do PIB e Selic Pressionada: A Conta de Juros e o Desafio Fiscal brasileiro do Novo Mandato
PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: MÉDIO-ALTO PROSPECTO FUTURO: PESSIMISTA
→ A despesa de juros do setor público chegou a 8,99% do PIB, o maior nível desde 2016. A dívida bruta está em 82,9% do PIB, o maior patamar desde 2021. O déficit primário vem caindo, mas não compensa o custo dos juros, que explica o avanço da dívida. Com a reeleição de Lula, o desafio fiscal do novo mandato é conter essa trajetória.
→ IFI projeta 86,4% do PIB em 2027, e o prêmio de risco deverá frear a queda da Selic. Como Lula resiste a medidas mais duras, o ajuste fiscal será moderado, e a escolha do ministro da Fazenda dificilmente bastará sozinha para trazer maiores certezas ao mercado.
Escrito por Andressa Scappini, Marcela Retore e Rebeca Lavale

Fonte: Folha - Uol
Conta de juros chega a 9% do PIB e reforça incerteza fiscal
A conta de juros do Brasil subiu para 8,99% do produto interno bruto nos 12 meses até setembro de 2026, nível que não era atingido desde a profunda recessão econômica de 2016.
Esse patamar eleva o custo de financiamento do governo, já que parte da dívida pública segue atrelada à Selic, o que torna as finanças públicas mais sensíveis às oscilações da taxa básica. Para investir no Brasil, por conseguinte, os agentes exigem um retorno adicional elevado para compensar a incerteza fiscal. Desse modo, o país contabiliza em sua taxa de juros nominal o pagamento de um dos maiores prêmios de risco do mundo. Desde que o atual presidente, Luiz Inácio “Lula” da Silva assumiu o mandato em 2023, a dívida bruta aumentou em 11,3 pontos percentuais do PIB, isto é, chegou a 82,9% do PIB. A pressão dos juros é o principal fator desse avanço: só em setembro, os juros nominais apropriados adicionaram 0,8 ponto percentual à relação dívida/PIB, segundo o Banco Central. (Dados)
Juros elevados pressionam a dívida mesmo com déficit primário menor
Os juros elevados mantêm a dívida em alta, ainda que o governo reduza o déficit primário.
Em setembro, o setor público registrou déficit primário de R$5,5 bilhões, abaixo dos R$17,5 bilhões de setembro de 2025, ainda que, segundo pesquisa da Reuters, a expectativa para este ano fosse de um superávit de R$500 milhões. As despesas com juros foram quase 20 vezes maiores, de R$107,5 bilhões, o que explica por que a dívida continua crescendo.
Em 25 de outubro, Lula foi reeleito para um novo mandato. Estabilizar a trajetória da dívida pública é amplamente visto como um dos principais desafios fiscais do governo, à medida que ele busca cumprir promessas de campanha para gastos públicos adicionais. (Dados)
O que a Index prevê?
Os juros altos manterão a dívida em alta. Mesmo com déficit primário menor, a IFI projeta dívida bruta de 86,4% do PIB em 2027. O prêmio de risco deverá seguir elevado e frear a queda da Selic.
O ajuste fiscal será moderado, não estrutural, uma vez que Lula resiste a medidas mais duras e o pacote não é prioridade até o fim do ano. A escolha do ministro da Fazenda será o primeiro sinal de mudança, mas dificilmente basta sozinha para acalmar o mercado.
O Congresso à direita encarecerá a governabilidade, pois o PL terá 121 deputados e 28 senadores, de modo a fazer com que Lula dependa do Centrão. Assim, Pautas fiscais passarão, mas com concessões.
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