Entre Investimentos é inserida na terceira fase da Operação Carbono Oculto
PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: MÉDIO-ALTO PROSPECTO FUTURO: PESSIMISTA
→ A terceira fase da Operação Carbono Oculto amplia as investigações sobre estruturas financeiras ligadas ao setor de combustíveis e aproxima o caso do financiamento de “Dark Horse”. A Entre Investimentos entra no centro da apuração após seu proprietário, Antônio Carlos Freixo, ser relacionado aos fluxos financeiros investigados.
→ A conexão entre Entre Investimentos, Banco Master e o financiamento do filme aumenta a exposição política do caso. A confirmação da origem dos recursos e dos vínculos entre os envolvidos será determinante para definir a dimensão das investigações sobre o núcleo político associado à produção.
Escrito por Andressa Scappini, Marcela Retore e Rebeca Lavalle

Fonte: Veja Negócios
Dono da Entre Investimentos entra no radar da Operação Carbono Oculto
Na quinta-feira (24 de setembro), Dario Durigan, ministro da Fazenda, afirmou que, segundo recentes investigações, a empresa Entre Investimentos, ligada à produção do filme de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, recebeu dinheiro do crime organizado. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Receita Federal, órgãos que deflagraram a ação, o dono da companhia, Antônio Carlos Freixo (conhecido por “mineiro”) prestava serviços de lavagem de dinheiro para um esquema criminoso no setor de combustíveis. Antônio tinha ligações com Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master) e já tinha confirmado, em delação premiada, a ter repassado mais de R$ 60 milhões a um fundo que custeou "Dark Horse", a pedido de Vorcaro, após cobranças do candidato à presidência Flávio Bolsonaro. Mineiro entra, então, na terceira fase da Operação Carbono Oculto, investigação conduzida pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e infiltração do crime organizado (Primeiro Comando da Capital - PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro.
Entre Investimentos como “entidade-chave” na lavagem de dinheiro
Segundo o ministro da Fazenda, a terceira fase da Operação Carbono Oculto já movimentou cerca de R$11,6 bilhões. A investigação identificou estruturas financeiras utilizadas para movimentação e ocultação de recursos, ampliando o alcance da operação para além do setor de combustíveis. A Entre Investimentos ganha relevância por conectar o esquema investigado ao financiamento de “Dark Horse”. Segundo a delação de Antônio Carlos Freixo, mais de R$ 60 milhões foram repassados a um fundo nos Estados Unidos utilizado para financiar o filme, a pedido de Daniel Vorcaro e após cobranças de Flávio Bolsonaro. A origem dos recursos e a conexão com o esquema criminoso ainda estão sob investigação. A sobreposição entre Carbono Oculto, Banco Master e o financiamento do filme amplia a dimensão política do caso. O principal ponto de atenção será a confirmação dos fluxos financeiros e dos beneficiários finais envolvidos nas operações.
O que a Index prevê?
Deverá haver maior rastreamento dos recursos destinados ao financiamento de “Dark Horse”, com foco nas operações realizadas pela Entre Investimentos e no fundo utilizado no exterior. A origem dos valores será central para estabelecer a extensão das conexões entre os envolvidos.
A confirmação dos vínculos financeiros entre Entre Investimentos, Banco Master e as estruturas investigadas na Carbono Oculto aumentará a pressão sobre o núcleo político associado ao filme. Novas evidências elevarão a exposição de Flávio Bolsonaro no processo eleitoral.
Com a continuidade das investigações deverá aproximar as frentes financeira e política do caso. A confirmação de que recursos provenientes do esquema investigado financiaram “Dark Horse” elevará a relevância do caso no debate eleitoral e ampliará a pressão institucional sobre os envolvidos.
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