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Trump rejeita proposta de paz Iraniana, prolongando o conflito

há 11 horas
4 min de leitura

PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: ALTO PROSPECTO FUTURO: PESSIMISTA


→ Segundo o WSJ, Trump rejeitou a proposta do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar combates regionais em sete dias, avaliando retomar bombardeios após as eleições de novembro. Teerã ofereceu o plano via Catar na ONU, exigindo o fim do bloqueio a portos, liberação de fundos e suspensão de sanções ao petróleo. Apesar de fontes citarem conversas construtivas, Trump segue cético quanto ao cumprimento dos termos pelo Irã

→  Trump deve manter a rejeição à proposta do Irã e retomar ataques após as eleições de novembro se as negociações via Catar não avançarem. Teerã exige o fim das sanções e a reabertura de Ormuz, mas resiste a ceder sobre seu programa nuclear, mantendo o impasse e o risco militar na região.


Escrito por Lorena Pontirolli Branco, Lucas Fernandes Diniz Risso e Manuela Vargas Pires de Moraes Pinto




Fonte: REUTERS/File Photo


Trump recusou oferta que foi mediada pelo Qatar em assembléia da ONU


 Autoridades americanas confirmam que o presidente Donald Trump rejeitou a proposta iraniana de reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar os combates regionais dentro de sete dias, e considera probabilidade de retomar uma campanha de bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas americanas de novembro. A informação veio à tona no mesmo dia em que o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, disse a jornalistas na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que o Irã havia transmitido seu plano de paz aos EUA por meio de mediadores do Catar. Segundo Araqchi, “se houver seriedade do lado americano para fechar um acordo e reabrir o Estreito de Ormuz, tudo já está preparado”. Pelo plano iraniano, caso os EUA aceitassem, as partes poderiam iniciar negociações mais amplas sobre “temas mutuamente acordados”: Teerã reabriria o Estreito de Ormuz e as hostilidades cessariam em todas as frentes, incluindo o Líbano, enquanto os EUA teriam que suspender o bloqueio a portos iranianos, liberar fundos congelados do país e suspender as sanções ao petróleo iraniano.

Uma autoridade americana afirmou que EUA e Irã vinham tendo conversas promissoras através dos mediadores, porém nos bastidores, Trump se mostrava cético quanto à disposição real do Irã de cumprir suas exigências. A proposta iraniana de sete dias surge depois de tentativas diplomáticas fracassadas de encerrar a guerra.



Irã busca solução diplomática sem abrir mão de suas exigências

Dentre suas demandas o Irã pede pelo  fim do  bloqueio naval, a liberação de ativos iranianos congelados,  fim das sanções sobre a exportação do petróleo iraniano assim como um cessar fogo em todos os níveis. O ministro iraniano, Abbas Araghchi disse “as condições são claras e qualquer movimento sobre a reabertura do estreito de Ormuz são contingentes ao cumprimento destas condições”, declarando que os iranianos não abriram mão das mesmas e nem da busca pela resolução diplomática.

Araghchi também disse que o tratado contaria com conversas sobre a questão nuclear a partir do sexto dia após a implementação do acordo, e isso incluiria um protocolo para autorização de inspetores nucleares das nações unidas em usinas danificadas junto à inspeção do urânio enriquecido.


Resistência americana impacta diferentes aspectos negativamente

O bloqueio naval americano pressiona fortemente a economia iraniana enquanto o conflito afeta rotas petrolíferas e aumenta o custo de vida em todo o globo. Após meses de bombardeios sem sucesso sobre os objetivos americanos, EUA partiram para a coerção econômica a fim de fragilizar ainda mais o governo Iraniano. Até o momento, o conflito gerou milhares de mortos e a fragilização da economia e das forças armadas iranianas,  com a inflação chegando a 128%  em um período de um ano. O oriente médio em geral também sofre com efeitos colaterais do conflito, com ataques iranianos à países aliados dos EUA, bloqueios à outras rotas petrolíferas e a mobilização do Houthis. Estes fatores elevam os custos de transportes em toda a região.

Apesar da distância territorial, os americanos também sofrem com efeitos advindos do conflito. O próprio Donald Trump vem enfrentando a queda de sua popularidade, que caiu cerca de 7% desde o início do conflito, principalmente devido à inflação em resposta aos gastos militares. 

Apesar de todos os impactos, o conflito tem sido menos prejudicial à economia global do que esperava-se,  levando a economia global à mostrar-se mais resistento do que foi frente às crises do petróleo durante a década de 70.



O que a Index prevê?


  • No curto prazo, é alta a probabilidade de Trump manter publicamente a rejeição à proposta iraniana e de a Casa Branca não confirmar oficialmente os detalhes atribuídos pelo WSJ a autoridades anônimas, mantendo ambiguidade estratégica. É média a chance de novas rodadas de mediação pelo Catar destravarem um entendimento parcial antes de novembro, e é média-alta a probabilidade de o impasse sustentar prêmio de risco nos preços do petróleo, dada a incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

  • No médio prazo, é média-alta a probabilidade de Trump retomar ataques contra o Irã após as eleições legislativas de novembro caso nenhum acordo seja fechado antes disso, como ele próprio sinalizou a assessores segundo o WSJ. É alta a chance de o Irã manter a exigência de reabertura de Ormuz e fim das sanções sem ceder no programa nuclear, e é média a probabilidade de aliados regionais dos EUA, como Arábia Saudita e Israel, pressionarem por garantias adicionais sobre o enriquecimento de urânio iraniano antes de qualquer flexibilização americana.

  • No longo prazo, é média-alta a probabilidade de o conflito seguir alternando pausas e retomadas de ataques enquanto EUA e Irã não convergirem sobre a sequência entre reabertura de Ormuz e concessões nucleares, prolongando a pressão sobre o comércio global de petróleo e mantendo elevados os prêmios de risco geopolítico. É média a chance de o desgaste econômico e militar do Irã, agravado por sanções e pela atuação de aliados como os houthis e o Hezbollah em frentes paralelas, forçar Teerã a aceitar termos mais próximos das exigências americanas nos próximos meses, e é média-baixa a probabilidade de uma solução diplomática abrangente ser fechada antes das eleições de meio de mandato nos EUA.






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