Influência chinesa nas Filipinas dificulta relações entre os países do leste asiático
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RISCO PARA O BRASIL: BAIXO
→ Após a acusação das Filipinas de uma intervenção chinesa na educação do país por meio de intercâmbios culturais e educacionais, a China interpreta o ato como uma provocação política. Manila justifica seu monitoramento dos programas de intercâmbio como uma obrigação legal de cooperar com a China, enquanto Pequim acusa o governo filipino de manipular e acusar o outro país injustamente.
→ A situação impulsiona o senso de desconfiança entre os países e diminui a probabilidade de uma futura negociação pacífica acerca da influência chinesa nas Filipinas.
Escrito por Andressa Scarpini, Manuela Romão e Natália Rorato

Fonte: CNN Internacional
China: expansão de influência no Mar da China acusada pelo governo das Filipinas
A China classificou como provocação política as preocupações filipinas sobre a influência de instituições chinesas em programas educacionais, em meio ao agravamento das tensões entre os dois países no Mar do Sul da China. A China, desde o começo do século XXI, busca expandir sua influência no Mar da China a fim de aumentar sua capacidade política e militar e se apresentar como uma potência mundial. A partir de intercâmbios culturais e acadêmicos, o país aumenta sua influência na educação local das Filipinas e busca estabelecer maior presença no país do Mar da China. Por meio do aumento de sua influência na educação filipina, a China reforça sua alegação de que o território pertence ao governo chinês. Somados aos intercâmbios educacionais, a China utiliza de sua capacidade econômica para aplicar sanções e pressões diplomáticas no governo filipino para obter maior influência no país.
Filipinas restringem canais de influência chinesa no ambiente doméstico
As Filipinas buscam reduzir os espaços pelos quais Pequim pode expandir sua influência dentro do país ao ampliar a fiscalização sobre programas educacionais e culturais ligados ao Estado chinês. A medida responde ao receio de que vínculos acadêmicos, institucionais e econômicos sejam utilizados para aproximar atores locais dos interesses chineses ou aumentar o custo de posições contrárias a Pequim, como demonstram as sanções impostas ao ministro da Defesa Gilberto Teodoro após suas críticas à atuação chinesa. Ao tornar esses vínculos mais transparentes e submetê-los à lógica da segurança nacional, Manila procura dificultar a formação de redes de dependência e limitar a capacidade da China de pressionar autoridades, instituições e grupos filipinos. Dessa forma, o governo tenta impedir que a presença chinesa no ambiente doméstico reduza sua autonomia para contestar Pequim e defender seus interesses no Mar do Sul da China.
Desconfiança enfraquece canais de cooperação entre China e Filipinas
A suspeita sobre programas educacionais e culturais ligados à China tende a enfraquecer alguns dos poucos canais de aproximação ainda existentes entre Pequim e Manila. Ao submeter essas iniciativas como possíveis riscos à soberania filipina, o governo filipino aumenta o custo político e institucional de manter parcerias com entidades chinesas, levando organizações locais a rever ou limitar esses vínculos. Com menos espaços de contato fora da esfera governamental, os dois países perdem canais informais de diálogo que poderiam reduzir tensões e preservar alguma cooperação durante crises. Dessa forma, a disputa no Mar do Sul da China passa a interferir também nas relações acadêmicas e culturais, de modo a aprofundar a desconfiança e dificultar a construção de acordos entre os governos.
O que a Index prevê?
Diante das complicações acerca dos programas de intercâmbio chineses nas Filipinas, a desconfiança entre os dois países irá dificultar uma possível negociação acerca do assunto e degradar as relações entre o governo chinês e filipino.
Como parte de sua estratégia de conter a influência chinesa, é muito provável que as Filipinas busquem aprofundar a aliança com os Estados Unidos, principal potência capaz de contrabalançar Pequim na região. Manila deve ampliar a cooperação militar e de inteligência para elevar os custos de novas pressões chinesas e proteger sua soberania.
No longo prazo, o aumento das restrições aos contatos culturais e acadêmicos, somado às acusações entre os governos, tende a consolidar uma percepção mais negativa da China entre a população filipina. Isso pode dificultar politicamente uma reaproximação futura, mesmo em períodos de menor tensão no Mar do Sul da China.
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