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Sauditas fecham temporariamente o oleoduto East-West

há 1 dia
3 min de leitura

PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: MÉDIO-ALTO PROSPECTO FUTURO: PESSIMISTA


Após ataques aéreos, a Arabia Saudita fechou o oleoduto estratégico para contornar a crise em Ormuz, ao mesmo tempo que os Houthis conquistaram novos pontos estratégicos para o controle das rotas do Mar Vermelho. Essas novas condições contribuem para a perpetuação do conflito no Oriente Médio por pressionarem os principais atores.

→ As chances de o oleoduto permanecer interditado são consideráveis e é alta a probabilidade do aumento dos ataques houthis sobre o estreito de Bab el-Mandeb e pontos críticos para o controle do Mar Vermelho. Essas duas condições reduzem mais a possibilidade de um acordo de paz entre EUA e Irã.


Escrito por Lorena Pontirolli Branco, Lucas Fernandes Diniz Risso e Manuela Vargas Pires de Moraes Pinto




Fonte: Satellite image shows damage to the East-West pipeline facility in the Hejaz Region, Saudi Arabia, on September 11, 2026. 2026 Planet Labs PBC/Handout via REUTERS 


Ataques aéreos motivaram o fechamento do oleoduto que atuava como principal alternativa ao estreito de Ormuz


Na sexta-feira, 11 de setembro, o oleoduto East-West, na Arábia Saudita, sofreu um ataque aéreo que levou ao fechamento temporário da região que vinha sido utilizada como uma rota alternativa ao estreito de Ormuz. Autoridades de Bagdá e Riade associaram a origem do ataque à uma região do Iraque onde operam bases xiitas iranianas, enquanto o presidente americano Donald Trump disse que “provavelmente é culpa do Irã”. Como resposta, sábado após o ocorrido, o Iraque demitiu um comandante militar operante na região de origem do ataque.

Este acontecimento impacta diretamente o preço do petróleo, já que nos últimos seis meses a região agia estrategicamente movendo cerca de 4 à 5% da oferta mundial, poupando os exportadores sauditas dos impactos da guerra.




Houthis buscam causar pressão sobre rotas alternativas


No dia seguinte ao ataque ao oleoduto, a defesa civil saudita reportou um ataque de autoria Houthi na região Jizã, causando danos à diversos prédios e deixando dois cidadãos feridos. Além disso, na sexta-feira anterior, autoridades iemenitas confirmaram que os Houthis tomaram a ilha de Perim, posicionada no estreito de Bab el-Mandeb. Esses eventos parecem estar alinhados de forma estratégica para consolidar o avanço dos Houthis e sua busca pela dominação do mar vermelho, sob o objetivo de limitar a capacidade de outras rotas petrolíferas. Sauditas temem que estes episódios possam levar à uma escalada brusca em meio a um momento relativamente pacífico e diplomático do conflito, o que os levou a solicitarem apoio militar americano,  porém Washington recusou envolvimento direto e se dispôs apenas para apoio referente à inteligência.


A contribuição desses episódios para a manutenção do cenário de guerra


Desde Junho deste ano, Estados Unidos e Irã não dialogam acerca de um cessar-fogo, o que foi dado como impossível pela diplomacia iraniana, a menos que os norte-americanos satisfaçam 7 condições fundamentais impostas pelo Irã. Também, na segunda-feira, dia 14, aconteceria uma reunião com países do Golfo em Omã, a qual foi desmantelada por falta de posicionamento do anfitrião e dos demais convocados, dos quais o Bahrein afirmou não participar de reuniões em que o Irã toma parte. Apesar de não haver ambições de resolver o conflito, dentre os pontos dessa reunião estava a situação em Ormuz, com o objetivo de retomar as discussões sob o ponto de vista do Golfo Arábico, o que tampouco foi bem sucedido.

Os ataques ao oleoduto saudita agravam o cenário já existente por colocar pressão sobre os lados da disputa. Por um lado, há o dilema americano, que precisa escolher entre ajudar os sauditas, aliados próximos do país, a lutarem contra os houthis ou não se envolver diretamente nessa frente da guerra a fim de não causar a expansão do conflito. Por outro lado, há o Irã, que se vê em processo de isolamento na região do golfo, de quem o governo iraniano depende para que o controle do Irã sobre Ormuz seja reconhecido. Nesse sentido, ataques a países vizinhos, sejam eles diretos ou indiretos, deterioram as relações entre as nações do golfo e afasta o Irã de arenas diplomáticas que seriam estratégicas para seu plano de guerra.



O que a Index prevê?

  • Há uma probabilidade considerável de que o oleoduto saudita permaneça fechado em virtude das escaladas e expansão do conflito no Oriente Médio, pressionando a cotação do barril de petróleo no mercado internacional;

  • É altamente provável que as ofensivas houthis se intensifiquem, dado que o grupo está tomando novas porções de terras estratégicas para o controle do estreito de Bab el-Mandeb;

  • É baixa a probabilidade de que esses novos acontecimentos levem a avanços nas discussões sobre um acordo de paz entre EUA e Irã.

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