Suspensão de serviços consulares no Brasil projeta o país como polo de insegurança
PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: ALTO PROSPECTO FUTURO: PESSIMISTA
→Embaixadas americana e australiana, assim como consulados, têm funcionamento suspenso poucos dias antes das eleições. Apesar de não se tratarem de atitudes completamente inéditas, trazem atenção devido ao contexto político brasileiro e atual relação com os Estados Unidos.
→ É provável que o fechamento das embaixadas, sobretudo dos Estados Unidos, sinalizem para a comunidade internacional que as instituições brasileiras são instáveis. Isso pode ser revertido em questionamentos aos resultados das eleições presidenciais e pressões diplomáticas.
Escrito por Lorena Pontirolli Branco, Lucas Fernandes Diniz Risso e Manuela Vargas Pires de Moraes Pinto

Fonte: Embaixada dos Estados Unidos em Brasília — Foto: Embaixada dos EUA/Divulgação
EUA e Austrália fecham embaixadas as vespéras das eleições
Na sexta-feira dia 2 de outubro, apenas dois dias antes das eleições presidenciais, os Estados Unidos suspenderam atendimento na Embaixada e em todos seus consulados no Brasil, declarando que a decisão foi tomada por questões de segurança. A Austrália aderiu ao mesmo posicionamento ao fechar sua embaixada no mesmo dia. Também foi confirmado que a polícia federal realizou uma investigação sobre supostas ameaças contra instalações americanas, que não confirmaram a existência de tais ameaças.
Este tipo de medida não é algo inédito e costuma ocorrer em períodos eleitorais devido ao risco de manifestações, apesar disso, o contexto político e as atuais relações entre Brasil e EUA trazem questionamentos sobre a atitude. Este comportamento vindo de um país como os Estados Unidos pode repercutir negativamente no internacional, sinalizando insegurança e instabilidade no Brasil.
O fechamento das embaixadas deteriora a imagem internacional do Brasil
A alegação americana de preocupação de segurança projeta o Brasil como um país inseguro no âmbito internacional. Dado que os Estados Unidos possuem o maior serviço de inteligência e mais tecnologicamente amparado, a simples desconfiança americana é o bastante para que a comunidade internacional veja o Brasil como instável e violento. Essa condição se torna um meio de validação para Estados que já têm desconfianças no Brasil, sobretudo em um contexto de polarização crescente da política global, em que assistimos o fortalecimento da extrema direita ao mesmo tempo em que o presidente brasileiro se orienta à esquerda.
O fechamento da embaixada australiana logo em seguida à decisão dos Estados Unidos evidencia como a incerteza americana é capaz de influenciar o julgamento de outros países. Não só a suspensão dos serviços consulares estadunidenses devem ter viesado a ação da Austrália, mas certamente a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, encabeçada pelos Estados Unidos, contribuiu para que o governo australiano se preocupasse com a segurança de suas embaixadas no Brasil.
Como isso impacta as eleições?
O levantamento de dúvidas a respeito da segurança do Brasil abre precedente para que atores internacionais questionem a confiabilidade do resultado das eleições brasileiras. A projeção do Brasil como um país instável pode ser manipulada por países não aliados ao candidato vencedor para invalidar o processo eleitoral brasileiro. Tal condição tende a se transformar em pressão geopolítica e ruídos diplomáticos logo no início do mandato do novo presidente, o que causa instabilidade e dificuldades de governança.
O que a Index prevê?
Apesar da repercussão internacional, é pouco provável que o acontecimento afete a intenção de voto dos brasileiros de modo a impactar diretamente no resultado das eleições. No entanto, é muito provável que a narrativa de um ambiente eleitoral instável e inseguro seja manipulada e intensificada por países como os EUA a depender do candidato eleito.
É altamente provável que o episódio venha a se repetir para o segundo turno das eleições, inclusive sob a probabilidade de mais países parceiros dos EUA adotarem à medida.
A longo prazo, considerando um cenário onde Lula siga para seu quarto mandato, é muito provável que o ocorrido seja analisado junto à outros fatores observados como possíveis interferências americanas no processo eleitoral brasileiro, alimentando o posicionamento anti-americano e pró-soberania do atual presidente.
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