Tarifa adicional de 55% da China restringe o acesso da carne bovina brasileira ao mercado chinês
- Index Political Risk
- 12 de jan.
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RISCO PARA O BRASIL: BAIXO
→ A China ativou cotas tarifárias para limitar a entrada de carne bovina e proteger seus produtores, aplicando sobretaxa sobre volumes excedentes. O Brasil, principal exportador, deve ajustar sua estratégia para manter o acesso ao mercado chinês, inclusive aproveitando cotas ociosas de outros países.
→ As cotas devem levar exportadores brasileiros a antecipar embarques para evitar a sobretaxa, elevando custos logísticos no curto prazo. Paralelamente, o governo brasileiro deve intensificar negociações técnicas para mitigar impactos e evitar uma escalada comercial com a China. Caso a medida cumpra seu objetivo, Pequim tende a consolidar o uso de cotas como ferramenta permanente de política agrícola.
Escrito por Érico Mazzini e Pedro Magalhães

Fonte: Xinhua
Pressão de agroprodutores chineses força o governo chinês a tomar medidas protecionistas
A decisão do governo chinês consistiu na ativação de um mecanismo de salvaguarda com imposição de cotas tarifárias à carne bovina importada, após pressão direta de associações do setor pecuário local, que pediram medidas imediatas para conter perdas e estabilizar preços internos. Na prática, Pequim definiu volumes máximos de importação com tarifa reduzida; qualquer exportação que ultrapasse esse limite passa a ser taxada com uma sobretaxa de 55%. A medida reflete a tentativa de proteger a renda dos produtores chineses após anos de aumento expressivo das importações brasileiras, especialmente desde 2023, sem interromper totalmente o abastecimento externo. Devido a grande presença do Brasil dentro do mercado chinês, Pequim decidiu designar a maior cota ao país. Dentre os exportadores de carne, o Brasil ficou com o maior volume: 1,106 milhão de toneladas.
O setor pecuário brasileiro afirma que a medida impõe uma reorganização dos fluxos de produção e exportação
A avaliação do governo brasileiro é que a medida chinesa altera de forma relevante as condições de acesso ao mercado, exigindo ajustes na produção, no planejamento comercial e na logística de exportação, sobretudo porque o Brasil embarca anualmente cerca de 1,6 a 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China. No curto prazo, a sobretaxa de 55% pode tornar parte das exportações brasileiras menos competitivas no mercado chinês ao excederem as cotas, prejudicando os fluxos comerciais entre os dois países. Entretanto, ainda que a situação traga incertezas operacionais e possíveis custos adicionais, o governo brasileiro entende que o impacto não é considerável, afirmando que o país está relativamente preparado para intempéries comerciais.
A solução brasileira é focar na utilização da cota de outros países
O governo brasileiro avalia a possibilidade de absorver cotas não integralmente utilizadas por outros exportadores, como os Estados Unidos, que frequentemente não preenchem todo o volume autorizado de vendas ao mercado chinês. A estratégia busca preservar o nível de acesso do Brasil ao mercado asiático em um contexto de maior restrição comercial, refletindo a centralidade estratégica da China, que absorve cerca de um terço das exportações brasileiras. Como principal parceiro econômico do país, o mercado chinês permanece crucial para a sustentação do setor agropecuário nacional, o que leva Brasília a priorizar soluções pragmáticas para manter fluxos comerciais estáveis mesmo diante de medidas protecionistas.
O que a Index prevê?
Exportadores brasileiros devem concentrar envios no início do período de vigência das cotas para fugir da sobretaxa, comprimindo margens logísticas e elevando custos operacionais no curto prazo.
Brasília deverá priorizar negociações técnicas para flexibilizar regras de contabilização da cota (embarques em trânsito, ajustes temporais), evitando escalada comercial. Dessa maneira, as sobretaxas não devem evoluir para outra medida mais incisiva por parte de Pequim.
Caso a medida se mostre eficaz para estabilizar preços internos, a China tende a institucionalizar cotas como instrumento recorrente de política agrícola.
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