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Tarifas, Groenlândia e a Erosão da Credibilidade da OTAN

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    Index Political Risk
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: BAIXO


→ Trump usa tarifas como instrumento de coerção para forçar aliados europeus a aceitarem a venda da Groenlândia, mesmo ameaçando relações comerciais e a coesão da OTAN. Dinamarca e Groenlândia mantém rejeição firme, apoiadas por mobilização popular e pelo princípio da autodeterminação, criando um impasse.

Trump tende a intensificar a pressão pela Groenlândia, deteriorando relações com aliados e ampliando tensões dentro da OTAN. Isso sinaliza que a proteção americana pode ser condicional e politizada. Como resultado, a credibilidade do tratado enfraquece.


Escrito por Guilherme Sanches e João Fante.


Fonte: Reprodução mídias sociais/Donald Trump.


Trump Utiliza Tarifas como Ferramenta de Coerção para Forçar Negociação sobre Groenlândia


Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre bens importados de oito nações europeias (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia), com ameaça de escalação para 25% em 1º de junho caso não haja acordo para a "compra completa e total da Groenlândia" pelos EUA. A medida representa uma mudança de tática: em vez de argumentos puramente estratégicos, Trump instrumentaliza o comércio como alavanca de pressão. A estratégia revela que Trump está disposto a sacrificar relacionamentos comerciais com aliados da Organização do Atlântico Norte (OTAN) para alcançar seu objetivo geopolítico, sinalizando que não considera a oposição europeia como um obstáculo intransponível. A ameaça tarifária estabelece um precedente perigoso de uso de ferramentas econômicas para coagir aliados a ceder soberania territorial, elevando o risco de fragmentação da ordem comercial internacional e enfraquecendo a coesão da aliança ocidental.



Dinamarca e Groenlândia Mantém Posição Firme contra Takeover Americano


Tanto Dinamarca quanto Groenlândia afirmaram categoricamente que a ilha não está à venda e que sua defesa deve permanecer sob a responsabilidade da Dinamarca, não dos EUA. Após uma reunião de alto nível em Washington entre Trump (representado por Vance e Rubio), autoridades dinamarquesas e groenlandesas, nenhuma mudança de posição foi alcançada. Groenlândia organizou manifestações populares em Nuuk e outras cidades, com milhares de pessoas marchando em apoio à autodeterminação. A rejeição unida e a mobilização política interna demonstram que a resistência não é apenas diplomática, mas também enraizada na vontade popular, tornando qualquer acordo sobre transferência de soberania politicamente inviável para os líderes de Copenhague e Nuuk. A manutenção dessa posição cria um impasse irreconciliável, aumentando a probabilidade de que Trump considere ações unilaterais ou escalação de pressão econômica, uma vez que a diplomacia tradicional não está produzindo concessões. 

 


Ameaça Americana a Membro da OTAN Coloca Aliança em Crise Existencial


A insistência de Trump em conquistar  a Groenlândia (território de um aliado da OTAN) representa uma ameaça sem precedentes à coesão da aliança de segurança que sustenta a estabilidade europeia há décadas. Diplomatas e analistas alertam que um takeover americano violaria o direito internacional e destruiria a credibilidade da OTAN como garantidor de segurança coletiva. A OTAN está em "scramble" para encontrar soluções de segurança ártica que satisfaçam as preocupações americanas sem ceder soberania territorial. A possibilidade de que um membro da OTAN (os EUA) use força contra outro membro para anexar território questiona o fundamento da aliança, sinalizando que a garantia de segurança americana é condicional e pode ser revogada se os aliados não cumprirem as demandas americanas. Esse cenário cria um vácuo de confiança que pode levar aliados europeus a buscar autonomia estratégica independente dos EUA, potencialmente acelerando a desintegração da OTAN e deixando a Europa vulnerável a uma Rússia agressiva no Ártico e além.

 


O que a Index prevê? 


  • A tendência é que Trump intensifique a pressão sobre países membros da OTAN para tentar garantir a Groenlândia. Nesse cenário, as relações devem se tensionar de forma generalizada, ampliando conflitos comerciais e políticos dentro da aliança.

  • Tudo isso tende a se tornar um problema sério para os países do Leste Europeu que dependem fortemente da OTAN como principal garantia de segurança diante da guerra na Ucrânia. Se os EUA sinalizam que a proteção oferecida pela aliança é condicional e pode ser instrumentalizada para fins próprios, esses países passam a enfrentar um déficit de credibilidade da dissuasão coletiva. Em outras palavras, doravante a aliança  tende a perder credibilidade. 

     








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