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Trump cobra reciprocidade da Coreia do Sul e sinaliza aproximação com Kim Jong Un

  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: BAIXO


 A redução dos exercícios militares com a Coreia do Sul mostra uma mudança na postura de Trump em relação à aliança com Seul. O presidente busca pressionar o governo sul-coreano por maior apoio às prioridades dos EUA, após a recusa em colaborar com a operação no Irã. Ao mesmo tempo, a medida reduz uma fonte de tensão com a Coreia do Norte e pode facilitar uma reaproximação com Kim Jong Un. Em contrapartida, o recuo nos treinamentos gera dúvidas sobre a força da cooperação militar entre Washington e Seul.


No curto prazo, Trump deve ampliar a pressão sobre a Coreia do Sul por maior apoio às prioridades dos EUA, usando a cooperação militar como instrumento de cobrança. Ao mesmo tempo, a redução dos exercícios pode facilitar uma reaproximação com Kim Jong Un, mas sem garantir avanços concretos na redução da ameaça nuclear norte-coreana.




Escrito por Heloisa Garcia, Amir Kadri e Luísa Dubois


Fonte: Saul Loeb / AFP via Getty Images



Trump reduz cooperação militar com Seul e sinaliza aproximação com Pyongyang

Donald Trump anunciou que os Estados Unidos vão reduzir os exercícios militares realizados todos os anos com a Coreia do Sul. Esses treinamentos servem para preparar os dois países para possíveis ameaças da Coreia do Norte, que possui armas nucleares e realizou novos testes de mísseis neste mês. Mesmo assim, Trump justificou a redução dizendo que os exercícios são caros e hostis à Coreia do Norte, país com o qual pretende melhorar as relações. Ele também deixou claro que sua insatisfação com a Coreia do Sul pesou na decisão. Atualmente, cerca de 28,5 mil militares americanos estão no território sul-coreano como parte da defesa do país, e Trump argumenta que Seul recebe essa proteção sem ajudar os Estados Unidos na mesma proporção. Essa percepção aumentou depois que o governo sul-coreano recusou um pedido de apoio à operação americana contra o Irã. Assim, ao diminuir uma atividade militar vista como uma ameaça por Pyongyang, Trump pressiona Seul por maior apoio e abre espaço para uma possível retomada do diálogo com Kim Jong Un.




Trump aumenta cobrança por contrapartidas de Seul


Trump vê a aliança com a Coreia do Sul como uma relação em que o apoio dos EUA deve ser acompanhado por maior colaboração de Seul. A recusa sul-coreana em ajudar na operação contra o Irã reforçou sua percepção de que Washington oferece segurança ao país, mas recebe pouco apoio quando precisa. A redução dos exercícios militares passa, assim, a servir também como forma de pressionar Seul por maior reciprocidade. Trump já havia suspendido esses treinamentos em 2018 para facilitar negociações com Kim Jong Un, mostrando que está disposto a alterar a cooperação militar para alcançar outros objetivos. Mesmo após a Coreia do Sul anunciar US$350 bilhões em investimentos nos EUA neste ano para reduzir tensões, a nova cobrança mostra que concessões econômicas não foram suficientes para diminuir a pressão de Trump por maior apoio sul-coreano às prioridades dos EUA.



Redução dos exercícios abre espaço para diálogo com Pyongyang

A Coreia do Norte considera os exercícios militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul uma ameaça e chegou a classificá-los como preparação para uma possível guerra. A redução dos treinamentos retira uma das principais fontes de tensão com Pyongyang e pode facilitar uma retomada do diálogo com Kim Jong Un. No entanto, o governo norte-coreano ainda não respondeu à decisão e continua ampliando seus programas nuclear e de mísseis, com novos testes realizados neste mês. Assim, o gesto de Trump pode abrir espaço para negociações, mas ainda não há sinais de que a Coreia do Norte esteja disposta a reduzir suas capacidades militares em troca.



O que a Index prevê?

  • No curto prazo, a redução dos exercícios deve aumentar a pressão sobre a Coreia do Sul para oferecer maior apoio às prioridades dos EUA, já que Trump demonstra estar disposto a rever compromissos militares quando considera que seus aliados não oferecem contrapartidas suficientes.

  • Ao mesmo tempo, a diminuição dos treinamentos pode abrir espaço para uma retomada das negociações entre Trump e Kim Jong Un, pois reduz uma atividade que a Coreia do Norte considera hostil. Ainda assim, não há sinais de que Pyongyang esteja disposto a limitar seus programas nuclear e de mísseis.

  • Caso essa postura continue, a Coreia do Sul pode enfrentar maior incerteza sobre o nível de apoio militar que receberá dos EUA, enquanto a Coreia do Norte mantém suas capacidades militares. Isso tende a aumentar a preocupação de Seul com sua própria segurança e com a estabilidade da aliança.


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