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Brasil e Argentina enfrentam pior crise diplomática em 40 anos

  • há 3 minutos
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RISCO PARA O BRASIL: MÉDIO


 Governo brasileiro avalia a crise diplomática entre Brasil e Argentina como a maior em 40 anos, se comparando apenas à crise que surgiu em 1973 durante a construção da usina hidrelétrica de Itaipu. 

→  A tensão diplomática entre os países deve permanecer relevante nos próximos meses, enquanto o bloco econômico do Mercosul pode enfrentar dificuldades para se manter ativo com o atrito das duas maiores economias sul-americanas. A persistência das tensões pode consolidar uma divisão ideológica duradoura na América do Sul.



Escrito por Érico Mazzini e Henrique Bernal


Fonte:  Mariana Nedelcu / Reuters


Tensões diplomáticas disparam entre Brasil e Argentina 


Em decorrência de críticas feitas pelo governante argentino Javier Milei ao presidente brasileiro Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes durante a Convenção Nacional do PL, o governo brasileiro recentemente avaliou que a crise diplomática entre Brasil e Argentina atingiu o nível mais elevado desde 1973, em que ocorreu conflito entre as duas nações sul-americanas envolvendo a construção da usina hidrelétrica de Itaipu. Apesar do porta-voz da Casa Rosada Adrian Ravier apontar que sempre houve diferenças ideológicas e insultos entre os dois presidentes, a Argentina nunca levou tais diferenças para o âmbito diplomático, e que a intenção não é criar um conflito que afete as relações comerciais entre os dois países.

A percepção da crise é compartilhada pelo assessor de assuntos internacionais do Palácio do Planalto Celso Amorim, por interlocutores do chanceler Mauro Vieira e pelo embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. Entretanto, as críticas de Milei não são consenso na Argentina, sendo duramente criticadas pela oposição, onde afirmam que as falas afetam os interesses argentinos e que são prejudiciais para as relações entre os dois países.


Altas tensões não ocorriam desde 1973, com Itaipu


A leitura pelos representantes brasileiros é de que não ocorria uma grande crise entre Brasil e Argentina desde 1973, quando o Brasil assinou o Tratado de Itaipu com o Paraguai. Na época, o acordo gerou grande insatisfação por parte dos argentinos devido à exploração das águas da Bacia da Prata na fronteira dos países. As tensões entre os dois países são amplamente baseadas nas diferenças ideológicas atuais entre o presidente libertário Javier Milei e o Presidente social-democrata Lula. Uma mudança no próximo cenário eleitoral favorecerá uma maior aproximação política com o país platino, uma vez que Flávio Bolsonaro já apresentou uma campanha em parceria com o governo de Buenos Aires.

Entretanto, já que são grandes parceiros comerciais e geopolíticos, a ação brasileira deve ser passiva. Mesmo que ainda existam atritos, O embaixador brasileiro Julio Bitelli deve permanecer no Brasil e a postura adotada pelo governo brasileiro é de esperar qualquer decisão do governo argentino antes de tomar qualquer medida diplomática.


O que a Index prevê? 


  • A curto prazo, é provável que o embaixador brasileiro Julio Bitelli permaneça em Brasília por mais tempo, o que resulta em um esfriamento do diálogo diplomático.

  • A médio prazo, o Mercosul deve enfrentar paralisia e estagnação severa nas negociações coletivas, envolvendo Brasil e Argentina ou não, até a possível mudança no posicionamento político brasileiro com as eleições.

  • A longo prazo, a persistência das tensões diplomáticas pode consolidar uma divisão ideológica duradoura na América do Sul caso o governo de Lula e seus ideais permaneçam soberanos após as eleições, e o Brasil poderia fortalecer ainda mais parcerias com vizinhos para compensar o vácuo com a Argentina.

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