China amplia controle sobre tecnologia e eleva riscos para empresas e investimentos brasileiros
PROBABILIDADE: ALTA IMPACTO: MÉDIO-ALTO PROSPECTO FUTURO: PESSIMISTA
→ Novas regras chinesas de entrada e saída permitem impedir cidadãos de deixar o país quando violações de controles de exportação ou transferência de tecnologia forem consideradas ameaça à segurança industrial ou tecnológica. A medida amplia o uso da segurança nacional como instrumento de proteção tecnológica em meio à disputa com os Estados Unidos por setores estratégicos, principalmente inteligência artificial.
→ Para o Brasil, as novas regras elevam os riscos para empresas e investidores com operações dependentes de tecnologia e profissionais chineses, ao ampliar a capacidade de Pequim de restringir a circulação internacional de conhecimento. No longo prazo, o avanço do protecionismo tecnológico chinês aprofundará a fragmentação das cadeias globais e pressionará o Brasil a diversificar fornecedores e parceiros em setores estratégicos.
Escrito por Luiza Renovato, Manuela Ziegler, Manuela Romão

Fonte: REUTERS/Maxim Shemetov
Novas restrições de fronteiras na China criam novos riscos para aqueles considerados como uma ameaça para a segurança nacional
No segundo semestre de 2026, a China aplicou novas condições de entrada e saída para o país, as quais impedem a saída de cidadãos classificados como potenciais ameaças à segurança tecnológica chinesa. Essa medida endurece restrições que já estavam sendo aplicadas majoritariamente para funcionários de alto escalão do governo e para executivos de empresas estatais, o que também engloba profissionais de áreas tecnológicas estratégicas, como a Inteligência Artificial. A declaração oficial do regime justifica o ato como um meio para prevenir violações envolvendo tanto exportações quanto importações de tecnologias que possam se tornar um risco à segurança nacional da China.
Penalidades para descumprir a nova regra reforçam endurecimento das condições de entrada e saída do país
A medida do país também implica que cidadãos chineses que retornem ao país após cometer qualquer tipo de ato ilegal no exterior que possa representar uma ameaça para a segurança nacional podem ser proibídos de sair da China por um período entre 6 meses e 3 anos. No caso de cidadãos estrangeiros que declarem informações falsas a fim de solicitar o visto do país, essas pessoas podem sofrer com suas entradas na China negadas por até 5 anos. Diante da ampliação da capacidade estatal de interferir na capacidade de ir e vir dos cidadãos em seu território, o governo de Taiwan sugeriu que seus cidadãos tomem precauções em casos de viagens para a China, sobretudo aqueles que trabalham no ramo de tecnologias.
Blindagem tecnológica e rivalidade com EUA
As restrições aplicadas para a entrada e saída de pessoas na China representam a intenção do país de proteger suas tecnologias de mercados externos, sobretudo acerca de sua rivalidade histórica com os Estados Unidos, exponenciada nos últimos anos diante de disputas geopolíticas por poder. Diante da rivalidade comercial e política entre as duas potências tecnológicas, a atitude da China de endurecer seu controle sobre sua população como um meio de monopolizar seu conhecimento estratégico se compara com a atitude americana de manter seus altos investimentos na área de Inteligência Artificial a fim de fortalecer sua segurança nacional. A rivalidade comercial com os Estados Unidos pode ser interpretada como uma das razões pela qual essa medida foi implementada pelo governo chinês: como uma forma de impedir que o conhecimento tecnológico do país seja divulgado para atores externos, como os EUA.
O que a Index prevê?
No curto prazo, as novas regras aumentarão os custos de compliance e a incerteza operacional para empresas estrangeiras que mantêm atividades tecnológicas na China. Companhias ampliarão a cautela na transferência internacional de funcionários, dados e conhecimento técnico, principalmente em inteligência artificial, semicondutores e outras atividades consideradas estratégicas por Pequim. O aumento da discricionariedade estatal também elevará o risco associado à presença de profissionais estrangeiros e chineses em projetos transnacionais.
Para o Brasil, o principal risco econômico será a maior vulnerabilidade de empresas dependentes de tecnologia, equipamentos e conhecimento técnico provenientes da China. A relação econômica bilateral permanece fortemente concentrada em commodities brasileiras e produtos manufaturados chineses, enquanto empresas brasileiras dependentes de fornecedores tecnológicos chineses estarão mais expostas em uma situação em que Pequim amplie controles sobre a circulação de tecnologias estratégicas. O efeito imediato das novas regras sobre empresas brasileiras, porém, ainda não está documentado. O risco deriva da expansão do alcance dos controles tecnológicos chineses.
No longo prazo, a medida aprofundará a fragmentação das cadeias tecnológicas entre China e Estados Unidos e aumentará a pressão para que o Brasil diversifique seus parceiros estratégicos. A transformação de tecnologia, capital humano e propriedade intelectual em instrumentos de segurança nacional reduzirá o espaço para cadeias produtivas plenamente integradas entre as duas potências. Para o Brasil, manter elevada dependência tecnológica de um único fornecedor aumentará a exposição a restrições externas, enquanto a diversificação de fornecedores e o desenvolvimento de capacidade tecnológica doméstica ganharão importância para reduzir vulnerabilidades.
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