Declaração dos EUA de saída do USMCA inicia contagem decrescente e reconfigura comércio
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RISCO PARA O BRASIL: BAIXO
→ → A notificação dos EUA de não extensão imediata do USMCA ativa a cláusula de caducidade do tratado, iniciando uma contagem decrescente de dez anos até sua potencial expiração em 2036.
→ A pressão americana para reforçar renegociações em setores críticos leva o Canadá e o México a reavaliarem a sua dependência de Washington, ponderando uma aproximação estratégica à Europa e Ásia.
→ A instabilidade no bloco norte-americano abre uma janela de oportunidade estratégica para o Brasil atrair investimento estrangeiro direto e redirecionar exportações, assumindo-se como um porto seguro comercial.
Escrito por: Heloisa Garcia, Luísa Du Bois, Mariana Campos e Rebeca Lavalle Magalhães

Fonte: Flags of the U.S., Canada and Mexico fly next to each other in Detroit, Michigan, U.S. August 29, 2018. Rebecca Cook
USMA e o recuo norte-americano
O USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) é o tratado de comércio livre que, em 2020, substituiu o NAFTA, delineando as regras de integração econômica na América do Norte. O acordo incorpora uma cláusula de caducidade de 16 anos, com revisões conjuntas estipuladas a cada seis anos. Os EUA notificaram que na primeira revisão formal do acordo, em 1 de Julho de 2026, eles não concordariam com a extensão automática do acordo.
Esta decisão não encerra o tratado imediatamente, mas aciona o mecanismo de reavaliações anuais que coloca o acordo em um limbo, resultando na sua potencial expiração em 2036, caso não se alcance um novo consenso. A administração de Washington utiliza esta manobra política para exigir regras mais rígidas, como o aumento do componente norte-americana no setor automóvel e a imposição de barreiras a produtos chineses, fazendo com que os EUA se beneficiem das isenções do USMCA.
Reações do México e do Canadá
A incerteza sobre o futuro do livre acesso ao mercado estadunidense provocou reações rápidas, forçando os parceiros vizinhos a uma reflexão diplomática e econômica.
O Canadá, numa tentativa de mitigar danos, procura reforçar os laços com parceiros extra-continentais. A aposta passará pelo aprofundamento do Acordo Econômico e Comercial (CETA) com a UE, promovendo o país como um parceiro fiável para investimentos europeus e transições energéticas verdes, desmarcando-se da volatilidade protecionista dos EUA.
O México enfrenta um cenário mais complexo, dada a sua dependência no nearshoring. Com os EUA exigindo um afastamento da influência asiática, a administração mexicana se encontra em uma encruzilhada. Como resposta, o México poderá explorar seu papal no Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP) e reforçar, ainda que discretamente, o fluxo de capitais chineses. Pequim tem utilizado o México como porta de entrada no continente americano, assim a atual tensão permite uma maior aproximação dos países, caso a Cidade do México considere que a rigidez de Washington torne a submissão econômica incompatível.
O que a Index prevê?
No curto prazo, a indefinição em torno do USMCA gerará volatilidade cambial no peso mexicano e no dólar canadense, paralisando decisões de investimento estrutural e de infraestruturas fabris.
A fragmentação norte-americana posiciona o Brasil num lugar de destaque. Como economia emergente politicamente neutra, o país se beneficiará do friendshoring por parte de multinacionais asiáticas e européias que necessitem realocar cadeias produtivas para fora das zonas de fricção tarifária direta.
O aumento das barreiras na América do Norte deve redirecionar os fluxos globais, oferecendo ao agronegócio e à indústria brasileira a oportunidade de expandir a sua quota em novos mercados. Esta conjuntura acelera a urgência do Brasil na conscientização efetiva do acordo Mercosul-UE, se apresentando à Europa como a alternativa mais viável na América Latina.
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