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Programa “Brasil contra o crime organizado” e PEC da Segurança Pública não surtirão o efeito eleitoral positivo esperado pela esquerda

10 de jul.
2 min de leitura

Atualizado: 27 de jul.

O programa “Brasil contra o Crime Organizado” e a PEC da Segurança Pública buscam reduzir a rejeição do eleitorado e mostrar a capacidade do governo Lula contra o crime. Apesar de mobilizar R$ 11 bilhões e buscar maior integração operacional, as medidas estruturantes demandam tempo e dificilmente trarão resultados perceptíveis no curto prazo. A oposição de direita deve manter a segurança pública como seu principal ativo político nas eleições, já que a percepção popular sobre a criminalidade é historicamente consolidada. Assim, o esforço do governo serve mais para conter críticas de sua própria base do que para atrair novos votos e alterar significativamente a dinâmica eleitoral.


Autora: Júlia Santos



Fonte:  Estadão


Com o intuito de mitigar as preocupações do eleitorado com a segurança pública, o governo Lula lançou recentemente o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, com previsão de mobilizar até R$11 bilhões em investimentos voltados ao combate às facções criminosas e ao fortalecimento da capacidade operacional do Estado. Paralelamente, o presidente também passou a defender com maior intensidade a aprovação da PEC da Segurança Pública, atualmente parada no Senado desde março, chegando inclusive a afirmar que poderá criar um Ministério da Segurança Pública caso a proposta avance no Congresso. 


Enquanto o programa busca enfraquecer financeiramente organizações criminosas por meio de maior integração investigativa, uso de tecnologia, inteligência e cooperação federativa, a PEC pretende reformular a coordenação institucional da segurança pública brasileira ao ampliar a integração entre União, estados e municípios e assim padronizar protocolos, bancos de dados e instrumentos operacionais.


O esforço do governo em conferir maior centralidade à pauta da segurança pública representa uma tentativa de responder a uma das principais preocupações do eleitorado e reduzir a percepção de que a esquerda apresenta menor capacidade de enfrentamento ao crime organizado. Embora o programa já esteja em implementação e o governo tenha passado a divulgar seus primeiros resultados operacionais, é improvável que esses avanços sejam suficientes para alterar, no curto prazo, a percepção consolidada do eleitorado sobre a capacidade do governo de enfrentar a criminalidade. A proximidade das eleições limita o tempo necessário para que políticas estruturantes produzam efeitos perceptíveis sobre os principais indicadores de segurança pública.


Assim, embora o fortalecimento da agenda de segurança pública possa contribuir para reduzir críticas dentro da própria base governista, seu potencial de alterar significativamente a dinâmica eleitoral permanece limitado. A menos que as políticas implementadas produzam efeitos rápidos e amplamente percebidos sobre a redução da criminalidade, a pauta de segurança pública segue como ativo político da direita. 

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