Provável fracasso das negociações com o Centrão para definição do vice deve reduzir competitividade da candidatura de Flávio Bolsonaro
A tendência de adoção de uma chapa mais ideologicamente alinhada ao bolsonarismo, em detrimento de uma aliança moderada com partidos do Centrão, deve reduzir a competitividade eleitoral de Flávio Bolsonaro e, consequentemente, diminuir a probabilidade de continuidade do legado político do clã Bolsonaro. Esse cenário depende do desfecho das negociações para composição da chapa presidencial.
Autora: Julia Santos

Fonte: Iano Andrade / CNI
A decisão da federação União Progressista (PP-União Brasil) de permanecer neutra representa um revés relevante para a estratégia do PL de ampliar sua coalizão eleitoral e aumenta a probabilidade de formação de uma chapa exclusivamente composta por quadros do partido. Embora o Republicanos não esteja vinculado à decisão da federação, a neutralidade do PP e do União Brasil eleva o custo político de um eventual apoio isolado à candidatura de Flávio Bolsonaro, o que reduz a probabilidade de uma composição ampla com o Centrão.
Embora essa alternativa fortaleça a coesão da base ideológica, ela tende a limitar a capacidade de expansão da campanha de Flávio Bolsonaro. Neste cenário, Flávio teria 20% menos tempo de TV do que Lula, menos recursos partidários e capilaridade regional. Ainda que a campanha mantenha forte presença nas redes sociais e a necessidade de concessões políticas seja reduzida, a ausência de uma coalizão ampla tende a limitar sua competitividade eleitoral.
Dada a preferência da campanha de Flávio Bolsonaro por uma candidata mulher a vice-presidente, estratégia adotada para mitigar o desgaste político decorrente do conflito com Michelle Bolsonaro e ampliar sua competitividade junto ao eleitorado feminino, três nomes despontam como os principais: Tereza Cristina (PP-MS), Daniella Marques (Republicanos) e Priscila Costa (PL-CE). A escolha entre elas deve depender do desfecho das negociações com o Centrão. Tereza Cristina seria a escolha mais estratégica, entretanto, a neutralidade do PP praticamente inviabiliza tal decisão. Caso o PL consiga atrair o Republicanos para a chapa, Daniella Marques tende a ser a opção mais provável. Em contrapartida, caso as negociações fracassem e prevaleça uma chapa "puro-sangue", aumenta a probabilidade de indicação de Priscila Costa.
Como Ex-Ministra da Agricultura, o nome de Tereza Cristina sinalizaria maior proximidade ao agronegócio, além de aumentar a governabilidade via articulação com o Centrão. Daniella Marques (Republicanos) surge como alternativa caso a negociação com o PP não avance, como Ex-Presidente da Caixa Econômica Federal, sua candidatura ajudaria a transmitir ao mercado uma mensagem de responsabilidade econômica. Priscila Costa, como uma das principais lideranças conservadoras no Nordeste e com apoio declarado de Michelle Bolsonaro, é a alternativa mais provável em caso de fracasso da coalizão com o Centrão. Sua candidatura mobilizaria a base do bolsonarismo, mas dificilmente seria atrativa para o eleitorado mais moderado.
A Index avalia que a definição do vice presidencial será um dos principais marcos da campanha de Flávio Bolsonaro nas próximas semanas. A composição da chapa deverá indicar se o PL foi capaz de converter negociações com o Centrão em uma coalizão eleitoral mais ampla ou se optará por preservar a coesão ideológica do bolsonarismo.
Dada a iminência do encerramento das convenções partidárias e o longo período em que Flávio tenta se aproximar do Centrão, há maior probabilidade das exigências de ambos os lados serem incompatíveis com um comum acordo. Deste modo, a escolha de Priscilla Costa (PL) como vice é extremamente provável, consolidando assim uma chapa ideológica.
O que a Index prevê?
A definição do vice presidencial tornou-se o principal sinalizador da capacidade de Flávio Bolsonaro de construir uma coalizão eleitoral competitiva.
É muito provável que Priscila Costa (PL) seja lançada como vice-presidente da chapa de Flávio, consolidando uma chapa ideológica.
A neutralidade dos principais partidos do Centrão aumenta a probabilidade de formação de uma chapa exclusivamente bolsonarista, reduzindo tempo de propaganda, recursos partidários e capilaridade regional.
Embora fortaleça a coesão da base ideológica, uma chapa "puro-sangue" tende a reduzir a competitividade da candidatura de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

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