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Rússia afirma que pode atacar alvos militares britânicos

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: BAIXO


 A Rússia advertiu nesta quinta-feira que poderia atingir alvos militares britânicos tanto dentro quanto fora da Ucrânia, como resposta a ataques ucranianos contra o território russo feitos com mísseis de cruzeiro britânicos de longo alcance. O aviso, dado pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, durante um briefing em Moscou, já havia sido feito antes, mas dessa vez veio com um tom mais duro e urgente do que nas ocasiões anteriores.

→ No curto e médio prazo, é pouco provável que o Reino Unido recue do apoio militar à Ucrânia, podendo ter apoio de outros países europeus nesse posicionamento. No médio prazo, a Rússia deve intensificar ameaças e pressão diplomática contra países que fornecem apoio à Ucrânia, embora seja pouco provável um escalonamento para um direto confronto militar entre Rússia e Reino Unido.



Escrito por Andressa Scapini, Marcela Retore e Rebeca Lavale



Fonte: CNN Brasil


Rússia diz que a ameaça vem em resposta ao uso ucraniano de mísseis britânicos


Em 27 de agosto, a Rússia afirmou que pode atacar alvos militares britânicos dentro e fora da Ucrânia. Já havia algum tempo que o Reino Unido vinha sendo observado como ameaça e, caso não mudasse de posição, estava “a um passo” de ser considerado legalmente cúmplice do que os russos chamam de  "terrorismo" contra civis. Mas a medida veio com mais força na última semana, quando a Ucrânia utilizou de mísseis franco-britânicos Storm Shadow/SCALP para atacar alvos dentro da Rússia ou em território no leste da Ucrânia, reivindicados por Moscou. "Já alertamos repetidamente que quaisquer instalações e equipamentos militares britânicos na Ucrânia e além de suas fronteiras poderiam ser alvejados em resposta a ataques ucranianos em território russo, realizados com armamento britânico", afirmou Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Foi alertado também que os britânicos abandonassem imediatamente sua “linha hostil e agressiva” para evitar que o conflito se intensifique para um "nível totalmente novo". A França também foi colocada como uma ameaça pelos russos, ao também fornecer tecnologia sensível de mísseis à Ucrânia, algo que, segundo eles, poderia trazer consequências imprevisíveis. Ambos os lados negam ter como alvo deliberado civis.


Rússia Intensifica bombardeios na Ucrânia em meio a tensão com o Reino Unido


No mesmo dia em que ameaçou atacar alvos militares britânicos, a Rússia lançou uma nova onda de ataques contra a Ucrânia. Segundo o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, durante a noite a Rússia realizou um ataque massivo contra portos, armazéns de grãos, energia, indústria e outras infraestruturas, usando mísseis balísticos, hipersônicos e drones de combate. A força aérea ucraniana informou que as defesas antiaéreas derrubaram sete mísseis balísticos, um míssil de cruzeiro antinavio e quase 90% dos drones que se aproximavam. O Ministério da Defesa russo confirmou os ataques, afirmando ter atingido siderúrgicas em Kryvyi Rih e Zaporizhzhia, uma refinaria de petróleo em Poltava, centros logísticos perto de Kyiv e três portos em Odesa. A coincidência entre a ofensiva militar e a ameaça diplomática não passou despercebida: enquanto Moscou intensificava os bombardeios dentro da Ucrânia, Zakharova alertava Londres sobre "consequências catastróficas" caso mísseis britânicos continuassem sendo usados contra território russo. Um duplo movimento que combina pressão no campo de batalha com pressão política sobre um dos principais aliados de Kiev.



Ingleses reagem firmemente mediante às ameaças Russas


Diante das ameaças russas, o governo britânico reagiu de forma firme, sem sinalizar recuo no apoio à Ucrânia. Um porta-voz do Ministério da Defesa do Reino Unido declarou à Reuters que o país está em apoio à Ucrânia e segue comprometido em fornecer o equipamento necessário para que Kiev possa se defender da invasão ilegal de Putin. O porta-voz acrescentou que a Rússia não deve ter dúvidas sobre a determinação deste Governo em se opor à agressão russa, tanto na Ucrânia quanto contra o Reino Unido e seus aliados. Enquanto isso, o Kremlin, pela voz do porta-voz Dmitry Peskov, acusou o Reino Unido de estar "participando da guerra" e "jogando lenha na fogueira" com esse tipo de apoio. O tom das autoridades britânicas contrasta com à declarção do presidente americano Donald Trump, uma vez que este minimizou o risco de escalada, dizendo à Axios que não está preocupado com a possibilidade de a Rússia atacar um país da Otan.


O que a Index prevê?

  • No curto e médio prazo, é pouco provável que a Inglaterra deixe sua posição de apoio à Ucrânia.

  • Em médio prazo, é provável que outros países europeus engajem do lado britânico contra a Rússia em meio ao contexto das ameaças.

  • No longo prazo, é pouco provável que as ameaças sejam escalonadas a um verdadeiro conflito, tendo em vista que isso seria muito prejudicial à Rússia, por atrair a atenção de diversos países do mundo (com poderio nuclear), como os Estados Unidos. Isso não evita completamente, porém, a possibilidade do uso de ameaças feitas pela Rússia para pressionar os britânicos.

  • Além disso, é provável que, em médio e longo prazo, o atrito entre Rússia e Reino Unido tome um lado mais voltado a medidas pontuais, incluindo, até mesmo, ataques cibernéticos.

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