Turquia pede prisão de Netanyahu por caso de flotilha com brasileiros
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RISCO PARA O BRASIL: BAIXO
→ A Turquia emitiu à Interpol mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, por ataques a navios de ajuda humanitária destinados a Gaza. O fato se desdobra em um cenário de desgaste das relações entre Turquia e Israel e em que o premiê israelense usa da retórica anti-Turquia para recuperar sua decadente popularidade no período pré-eleitoral
→ Com a proximidade das eleições nacionais em Israel, a expectativa é que Netanyahu seja inflexível com a Turquia e continue com o discurso hostil ao país. Com isso, espera-se que as relações entre Netanyahu e Trump sofram um abalo importante para a manutenção do cargo do premiê, tendo em vista a aproximação entre Erdogan e Trump.
Escrito por Manuela Vargas e Lorena Pontirolli

Fonte: cnn
Turquia emite alerta vermelho da interpol buscando prisão do primeiro ministro israelense
Na última sexta feira 21 de agosto a Turquia emitiu mandados de prisão contra netanyahu e outro suspeito sob as acusações de genocidio, crime contra a humanidade e tortura, a respeito de interceptações de flotilhas humanitárias que partiam da Turquia em direção à Gaza em maio de 2026. Os ativistas presentes na flotilha, dentre eles 3 brasileiras, foram detidos ainda no mediterrâneo e levados para prisões israelenses antes de serem expulsos do país.
Em resposta ao mandado de prisão Netanyahu chamou a Turquia de “ditadura antissemita” enquanto seu gabinete declarou que continuará “agindo com firmeza contra as tentativas da Turquia de desestabilizar a regão”. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan rebateu a declaração através da condenação da tentativa de Netanyahu em apresentar a Turquia como uma ameaça, o que afirmou fazer parte de uma narrativa estratégica para apoiar a campanha eleitoral do primeiro-ministro israelita.
Episódio agrava deterioração das relações diplomáticas entre Turquia e Israel
A Turquia tem sido uma das principais críticas das ofensivas de Israel ao povo palestino após o início dos ataques em outubro de 2023. Desde o início da crise, a Turquia abriga comandantes do Hamas, suspendeu canais de cooperação, comércio bilateral e voos diretos com Israel, além de ter emitido diversos mandados de prisão contra Netanyahu, e se manifestar à favor da implementação de medidas internacionais contra Israel. Atualmente a tensão entre os dois tem se agravado referente a proximidade territorial entre os dois países e a Síria, que tornou-se um recente aliado da Turquia após a posse de Ahmed al-Sharaa.
Na terça-feira dia 18 de agosto, a Síria acusou Israel de ministrar um ataque à uma base aérea desocupada no noroeste do país, o qual foi justificado por Israel como uma ofensiva contra tropas turcas que estariam ocupando a região. A acusação foi negada pela Turquia e pelo ministro de relações exteriores da Síria. Ainda na sexta-feira (21 de agosto) Netanyahu acusou Erdogan de “estar buscando expandir sua agressão contra Israel pela Síria”, e declarou que “Israel não irá tolerar”.
Crescente tensão entre israel e Turquia pode afetar negativamente campanha eleitoral de Netanyahu
Em 27 de outubro, ocorrerão as primeiras eleições nacionais após o ataque do Hamas em 2023, em que a população elegerá 120 cadeiras para o parlamento, o Knesset. Pesquisas recentes indicaram que a coalizão de extrema direita liderada por Netanyahu passa por uma crise de popularidade desde o início dos conflitos no Oriente Médio, porém os opositores do atual premiê não demonstram ter um plano ao certo para subirem ao poder.
Para sua corrida eleitoral, Netanyahu produziu outdoors com as imagens de diferentes líderes políticos, dentre eles o presidente turco Erdogan, com a frase “Eles querem que Netanyahu perca”. Diante de cobranças internas pela realização dos objetivos israelitas nas guerras em que se envolveu, Benjamin Netanyahu usa o discurso anti-Turquia como tentativa de reunir sua base eleitoral novamente.
No entanto, os efeitos colaterais dessa estratégia podem ser fatais para a sobrevivência política do atual primeiro-ministro israelita. Tendo em vista que a Turquia é um membro da OTAN e tem desenvolvido boas relações com o presidente Donald Trump, o aumento das tensões entre Israel e Turquia sinalizam um possível estremecimento do apoio americano a Netanyahu. Para os Estados Unidos, se o primeiro-ministro israelita seguir atuando diretamente contra a Turquia, há a possibilidade de Netanyahu se apresentar como um político que faria de tudo para se manter no poder. Isso atrelado à instabilidade da política externa de Trump impede que o premiê do Knesset dê o apoio americano como certo.
O que a Index prevê?
Alto risco de piora nas relações entre Israel e Turquia dado a continuidade do conflito em Gaza;
Alto risco de retaliações duras à Turquia por parte de Netanyahu como medidas de sobrevivência política;
Risco moderado a alto de desgaste do apoio americano a Netanyahu em virtude das crescentes hostilidades entre Israel e Turquia.
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