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Vitória de Keiko Fujimori no Peru coloca a Direita como majoritária nos governos da América Latina

  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: MÉDIO


→ A presidente eleita Keiko Fujimori prioriza o desenvolvimento econômico interno baseado no investimento privado ao promover a diminuição do emprego informal e ter como principal promessa a redução da dívida peruana para 1% até 2031.

→  A eleição de Keiko Fujimori demonstra o progresso da direita na política da américa latina e apresenta semelhanças à outros governos a medida que a presidente eleita sinaliza seguir a linha dura no combate à criminalidade e à corrupção, o que pode afetar o Brasil.


Autores: Lorena Pontirolli, Augusto Oliveira, Manuela Vargas



Fonte:  Valor Econômico


Keiko Fujimori promete redução do déficit e geração de empregos formais


Atualmente a economia peruana é baseada nas micro e pequenas empresas, das quais 80% são informais e possuem baixa produtividade e baixo acesso a crédito, frente a isso Keiko traz propostas que promovem capacitação, apoio financeiro, formalização e digitalização destes agentes.

Outro ponto importante das políticas econômicas de Keiko Fujimori é a situação financeira crítica da PETROPERU, que possui uma dívida acumulada de aproximadamente US$8.532 milhões. As propostas referentes a petrolífera destacam uma revisão profunda de seus gastos para uma gestão mais eficiente e possivelmente menos custosa, onde os gastos cortados seriam voltados para bens públicos, além da venda de ativos não estratégicos.



Propostas de Fujimori apontam para duro combate ao crime e à corrupção


Fujimori enveredou sua campanha para um discurso anti-violência e de guerra frontal contra o crime. Nesse sentido, a nova presidente propôs uma rede nacional de centros de vigilância interligados que usam da Inteligência Artificial para manter mapas de criminalidade em tempo real. Ainda nessa área, Fujimori prometeu o endurecimento de leis antiterroristas, maior atuação militar no combate à violência e a expulsão de migrantes que cometam crimes no país. 

Outra face da campanha política de Keiko enfoca o combate à corrupção, para o qual ela apresentou um programa de controle orçamentário e a ampliação dos poderes da Controladoria Geral da República. Com essas medidas, Fujimori busca reduzir a forte polarização política no Peru, que tem se apresentado como um entrave à gestão da nova presidente.


As propostas de Fujimori tem  impactos políticos, econômicos e na criminalidade brasileiros


A eleição de Keiko isola o Brasil na América Latina enquanto um governo à esquerda, uma vez que, com a vitória de partidos conservadores na Colômbia e no Peru, a direita passou a ser majoritária na região. Porém, esse cenário pode ser revertido dado que as pesquisas eleitorais apontam para uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Com relação ao Mercosul, o Peru é um membro observador, o que torna o descumprimento com normas de livre comércio mais fácil, uma postura esperada de governos mais conservadores. Para o Brasil, isso interfere nos mercados de peças e veículos automotores, de ferro e aço, de insumos plásticos e de papel, produtos dos quais o país exporta para o Peru.

Também, a expulsão de migrantes que cometam crimes como ação do governo Fujimori incentiva que esses indivíduos atravessem ilegalmente a fronteira para o Brasil pelo Amazonas. Ali, esses fugitivos podem se aliar a grupos criminosos atuantes na região, como o PCC, o CV, os Piratas do Solimões, os Revolucionários do Amazonas e a Família do Norte. Essa condição, além de elevar a criminalidade, aumenta as atividades ilícitas, como o garimpo irregular e o narcotráfico, e os conflitos entre membros dessas facções e povos originários.


O que a Index prevê?


  • É pouco provável que as principais medidas econômicas propostas por Fujimori rendam resultados à curto prazo, pois essas exigem mudanças estruturais profundas.

  • É pouco provável que o mandato de Fujimori afete em grande escala as relações entre o Peru e o Mercosul considerando que, devido sua posição de observador, o bloco econômico não exerce papel de centralidade na economia peruana e por tanto não exerce grande influência em outros acordos econômicos do país.

  • É altamente provável que devido a postura conservadora e direitista do governo de Keiko Fujimori, o país, assim como outros paises latinos americanos com governos de direita, aproxime-se dos Estados Unidos. No entanto, é pouco provável que essa aproximação gere uma ruptura com a China, pois a mesma representa um dos principais parceiros comerciais do Peru e contribui com projetos desenvolvimentistas como o porto de Chancay.


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