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Líderes da OTAN se reúnem com Trump para alinhar expectativas estratégicas

  • há 20 horas
  • 3 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: BAIXO


 A próxima cúpula da OTAN, em Ancara, ocorre em um momento de desgaste entre Estados Unidos e Europa. As tensões recentes envolvem a guerra na Ucrânia, a insatisfação americana com o apoio europeu no conflito com o Irã e as pressões de Trump sobre a Groenlândia. O encontro busca preservar a unidade da aliança e redefinir a divisão de responsabilidades militares entre Washington e os aliados europeus.

→  A Index prevê que Estados Unidos e Europa devem chegar a um acordo para evitar uma ruptura pública na cúpula. Também é provável que Washington busque maior presença estratégica na Groenlândia, enquanto reduz as pressões diretas sobre a Dinamarca. No longo prazo, a Europa tende a acelerar sua agenda de defesa própria, ampliando investimentos militares e reduzindo sua dependência dos Estados Unidos.


Escrito por: Amir Riad Kadri, Anna Clara Ruiz, Marcela Retore Almirall e Natália Dalmazo Rorato



Fonte:  Fonte: John Thys/AFP


Recentes instabilidades entre EUA e OTAN demandam reunião entre ambos 


Na próxima semana os líderes da OTAN se reunirão em Ancara com o presidente americano Donald Trump. A cúpula busca preservar a unidade da aliança transatlântica que se apresenta cada vez mais instável. Historicamente, a OTAN funcionou com os Estados Unidos da América (EUA) como principal contribuinte militar da Europa, enquanto aliados europeus mantinham menor peso relativo nos gastos e capacidade de defesa. Entretanto, tal dinâmica passou a ser questionada com mais força após a guerra na Ucrânia, as cobranças americanas por maior investimento militar, as divergências sobre o Irã e as tensões envolvendo a Groenlândia. Assim, a reunião em Ancara ocorre a fim de discutir uma nova divisão de responsabilidades dentro da OTAN. 



Insatisfação americana com tratado transatlântico fica evidente com conflito no Irã


O apoio à Ucrânia se torna uma das principais demandas europeias no cenário atual da OTAN. Com a guerra contra o Irã contida momentaneamente, a atenção dos Estados Unidos volta para a Europa, criando uma expectativa de que eles reafirmem seu compromisso com o apoio militar a Kiev e com a aliança. No entanto, os americanos apresentam grande insatisfação com relação à forma com a qual a aliança os tratou durante o conflito com o Irã, tendo em vista que muitos países europeus limitaram o uso de bases para forças americanas e não auxiliaram com atividades militares destes. Dessa forma, Trump adota uma visão de que os acordos entre OTAN e seu país funcionam de forma unilateral, na qual os Estados Unidos investem muito para prover proteção, mas não recebem apoio proporcional em retorno, seja por meio de bases, alinhamento diplomático ou aumento dos gastos de defesa. 


A questão da Groenlândia e sua relação com  laços estratégicos da OTAN


Além das divergências sobre o Irã, a questão da Groenlândia expõe um problema mais profundo na relação entre EUA e Europa: a perda de confiança entre aliados. Ao pressionar a Dinamarca em relação à Groenlândia, Trump transforma uma aliança militar em um espaço de disputa política entre parceiros do próprio bloco ocidental. Para os europeus, isso tende a criar um limite às concessões a Washington. Apoiar os EUA em temas estratégicos, como o Irã, contribui para preservar a cooperação transatlântica, mas aceitar pressões sobre um aliado europeu enfraqueceria a própria estrutura interna da OTAN e União Europeia em relação  a ideia de solidariedade.


O que a Index prevê?


  • É provável que os dois lados cheguem a um acordo, que favoreça tanto aos Estados Unidos, como em apoio em conflitos como o iraniano, quanto aos europeus, como à redução nas pressões à Dinamarca.

  • É provável que haja um acordo entre Estados Unidos e Europa em relação à Groenlândia, que concede aos americanos espaços e bases na região.

  • É provável que a Europa acelere a sua agenda de defesa própria. Mesmo que ocorra uma manutenção no tratado transatlântico, os países europeus tendem a ampliar investimentos militares e fortalecimento da indústria de defesa. A redução gradual dos compromissos americanos reforça a percepção de que a Europa precisa depender menos de Washington para garantir sua própria segurança. 

  • É provável que, caso os acordos deem errado, a Europa perca sua proteção advinda dos americanos.


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