Irã ataca a Síria pela primeira vez desde o começo da guerra contra os Estados Unidos
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RISCO PARA O BRASIL: MÉDIO-BAIXO
→ O Irã realizou ataques contra bases americanas vazias no leste da Síria, que havia declarado neutralidade a menos que fosse atacada. Também, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o país tem total controle sobre o Estreito de Ormuz e que não permitirá a passagem de petróleo ou gás enquanto ataques estadunidenses continuarem.
→ A continuidade e expansão do conflito no Oriente Médio agrava a crise energética mundial, especialmente ao considerar o possível bloqueio ao estreito de Bab el-Mandeb, importante rota alternativa para o escoamento de petróleo.
→ O possível envolvimento da Síria no conflito pode afetar sua capacidade produtiva agrícola, colocando o Brasil em uma posição vantajosa visto que os dois países mantêm uma relação comercial baseada na indústria alimentícia. Por outro lado, a volatilidade do preço do petróleo dificulta as exportações de commodities brasileiras.
Escrito por: Lorena Pontirolli, Lucas Risso, Augusto

Fonte: CNN Brasil
Ataque inédito pode levar ao envolvimento da Síria no conflito entre EUA e Irã
A guarda revolucionária iraniana confirmou a realização de um ataque ao centro de comando de operações especiais dos EUA em al-Tanf, Síria, na última sexta-feira (17/07). O evento marca o primeiro ataque iraniano em território sírio desde o início do conflito entre Estados unidos e Irã e foi justificado pela guarda revolucionária iraniana como um ataque de retaliação ao assassinato de soldados iranianos em Iranshar. Segundo uma fonte militar síria, o ataque não chegou a atingir a base e não causou vítimas ou danos estruturais. Em março de 2026 o presidente Sírio, Ahmed al-Sharaa, declarou que o país não se envolveria no conflito a menos que se tornasse alvo de alguma das partes, expressando a busca por evitar consequências como as observadas no Líbano e Iraque. O recente episódio, apesar de não ter causado grandes consequências, tem a possibilidade de quebrar a postura de neutralidade tomada pela Síria até o momento e levá-la ao envolvimento direto.
O episódio pode marcar o início de uma nova fase na guerra, com mais participantes e maior agressividade
A expansão dos ataques iranianos para a Síria, um país vizinho que não tinha sido alvo até então, pode indicar uma nova etapa da estratégia militar do Irã. A Guarda Revolucionária Iraniana declarou que, caso as ofensivas americanas atingissem a infraestrutura do Irã, o país atacaria infraestruturas civis em países do Oriente Médio. Esse anúncio é significativo pois a proibição de ataques a infraestruturas civis e econômicas era um parâmetro estabelecido pelos dois lados desde o início da guerra para evitar escaladas indesejadas. Assim, a ameaça de violação a esse consenso por parte do Irã aponta para um possível aumento do nível das hostilidades entre Estados Unidos e o país persa e para uma expansão da fronteira de ataque do Irã. Tal ampliação pode arrastar novos países para o conflito, como é o caso da Síria.
Junto aos ataques à Síria, o Irã reafirmou seu controle sobre Ormuz e instruiu que seus aliados houthis do Iêmen fechem o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, uma alternativa a Ormuz, caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura iraniana. Essas declarações sinalizam uma estratégia de guerra iraniana mais agressiva à economia global, buscando pressionar os Estados Unidos por meio de mais uma fonte de incerteza no mercado do petróleo.
O Brasil é impactado pela intensificação da guerra e pela possível entrada da Síria no conflito
A acentuação do nível de hostilidade da guerra mantém o preço do barril de petróleo instável e dificulta ainda mais a obtenção do combustível e do gás natural em virtude da ameaça de fechamento de Bab el-Mandeb. Esse cenário traz dificuldades para a atividade econômica brasileira, que se apoia principalmente na exportação de commodities. A volatilidade do preço do petróleo encarece a produção e entrava o acesso a insumos que não são produzidos nacionalmente, elevando o preço do produto final e atrasando o processo produtivo.
Caso os ataques ao território sírio se sigam, o país provavelmente enfrentará problemas na produção de insumos agrícolas e pecuários. Dado que, aproximadamente, 75% da extensão territorial da Síria é destinada à atividade agrícola, ofensivas iranianas colocam em risco a capacidade produtiva de frutos da terra no país. Assim, o Brasil assume uma posição de vantagem visto que a Síria importa o café, o açúcar, o milho e a carne brasileiros.
O que a Index prevê?
É altamente provável que o escalonamento do conflito afete atividades econômicas brasileiras devido ao agravamento da crise energética mundial.
É altamente provável que a pressão econômica decorrente de um bloqueio no Estreito de Bab el-Mandeb leve os Estados Unidos a adotarem medidas mais violentas. Neste cenário, a expansão territorial dos ataques de retaliação por parte dos iranianos também torna-se altamente provável.
É moderadamente provável que a Síria passe a participar efetivamente do conflito como aliado dos EUA considerando o atual afastamento entre Síria e Irã, e a autoria do ataque realizado no dia 17/07.
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