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Novas tarifas de Trump abrem frente para novas negociações e desgastam pré-campanha de Flávio Bolsonaro

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

RISCO PARA O BRASIL: MÉDIO-ALTO


 Os Estados Unidos anunciam novas tarifas de 25% sobre as importações brasileiras. O governo americano afirma que o Brasil vem realizando práticas injustas em relação à competitividade do comércio de seu país, por meio da regulamentação restritiva às Big Techs, por exemplo. O presidente Lula confirmou, em resposta, que existe a possibilidade da implementação da Lei de Reciprocidade em retaliação às medidas de Trump. 

→ As taxações têm grande impacto no âmbito político brasileiro ao descredibilizar a narrativa de parceria entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump que vinha sendo proposta em toda a sua pré-campanha para as eleições presidenciais de 2026.


Escrito por: Marcela Almirall, Lorena Pontirolli, Beatriz Graner, Ana Luísa


Fonte: /X Eduardo Bolsonaro


Estados Unidos abrem possibilidade de negociações importantes em meio às tarifas


Na última semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou novas tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras, que entrarão em vigor em 22 de julho. O governo americano usou como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974 , que investiga e retalia práticas comerciais de outras nações percebidas como injustas de outras nações. Nesse caso, políticas públicas brasileiras sobre regulamentação de Big Techs, tarifas preferenciais, processamento de patentes, desmatamento ilegal, comércio de etanol e combate à corrupção foram considerados pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) geradores de competição desleal para os americanos. As taxações podem criar um cenário propício para acordos, para evitar um desgaste político entre os dois países, possibilitando uma posição de força dos EUA sobre a negociação sobre Terras Raras e o Pix,. Ou, ainda, enquanto o país estiver em meio às eleições, é possível que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantenha sua narrativa de soberania brasileira, constantemente colocada em pauta em sua pré-campanha eleitoral, postergando as negociações para os próximos anos.



Lula confirma que Lei de Reciprocidade pode ser colocada em prática

O presidente brasileiro confirmou que tomará medidas em resposta às ações de Trump, especialmente relacionadas à Lei de Reciprocidade. Tal norma, sancionada pelo próprio presidente em 2025, permite que o Brasil adote medidas proporcionais às dos países que prejudicam sua competitividade internacional, seja impondo tarifas sobre importações ou utilizando restrições comerciais. Apesar de ser um forte instrumento de pressão,  a retaliação direta, sem antes haver negociações e discussões diplomáticas, é pouco provável, tendo em vista que é desinteressante para as empresas americanas, ao mesmo tempo que nociva ao Brasil, já que causaria aumento de custos para produtores e consumidores de ambos os lados. Assim, o atual presidente da república enfrenta uma decisão que irá lhe requerer tamanha cautela: manter seu discurso de soberania nacional, considerada muito importante para seus eleitores ou buscar uma solução diplomática para evitar a instabilidade econômica oriunda da movimentação das Lei de Reciprocidade, que afetaria sua aceitação pela população. 



Imposições da Casa Branca desgastam pré-campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro

Todo o cenário de tarifas atuais inflama o conflito entre apoiadores de Lula e seus opositores, que debatem sobre quem recai a culpa destas. Enquanto aqueles que vão contra o presidente defendem que ele é o responsável pelas taxações, os governistas acusam a família Bolsonaro de ter envolvimento no caso. Em ambos os casos, a situação demonstra que a visita de Flávio Bolsonaro ao presidente americano e seu pedido para que não houvesse taxação ao país não teve grande efeito sobre as decisões tomadas em Washington.

Isso enfraquece a posição do pré-candidato em meio à sua campanha eleitoral de 2026,  que já vêm sendo abalada por uma sequência de crises nos últimos meses. O acontecimento prejudica a narrativa de  sua aproximação a Trump, tendo em vista que seus laços antes demonstrados não tem representado efetiva vantagem aos seus eleitores, que também serão afetados pelas tarifas. O aumento na desaprovação em relação a Flávio, porém, não representa crescimento no eleitorado do Partido dos Trabalhadores (PT). Cresce, portanto, um grupo eleitoral que é contrário ao governo presente e, simultaneamente, rejeita o pré-candidato oposicionista, permitindo o crescimento posicional dos demais pré-candidatos.

O que a Index prevê?


  • É pouco provável que as negociações sobre as tarifas sejam escaladas até uma guerra comercial ou que a Lei de Reciprocidade seja aplicada ilimitadamente, já que esta seria pouco benéfica para ambos os lados. É muito provável que a norma seja mais utilizada como ferramenta para acordos.

  • É muito provável que as tarifas sejam uma forma de os EUA pressionaram o Brasil por melhores resultados nas negociações acerca do Pix e de terras raras, além da flexibilização de regulamentações brasileiras, por exemplo sobre as Big Techs.

  • É provável que cresça uma terceira via no cenário eleitoral brasileiro, na qual avance um pré-candidato (muito provavelmente de centro ou centro-direita) que equilibre o grupo que não apoia Lula, enquanto rejeita Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) são os nomes mais fortes para tal.















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